Porque falar de amor. Se existe algo que importa é o corpo a corpo. A germinação do corpo das flores e dos pássaros, dos ovos, dos frutos; e a experiência de sermos em relação direta, em campo íntimo e aberto.
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Quem escuta não depende apenas de bons ouvidos.
Há quem escute pelos pés, há quem escute pelas pontas dos dedos, há quem escute pelo estômago, pela paisagem. Pelo focinho gelado e úmido de um animal. Pelos olhos de alguém.
Essa história evoca o princípio sem começo. O princípio como fonte, nascente, ponto de origem, sangue vital. Por vezes nos vemos diante do dito sem princípio.
Um livro com 523 páginas. Com uma pintura do século XIX na capa. Alguém entoando um ditado para seus alunos de bochecha rosada. Esperando não se sabe o quê, o nome.
Ao ler o texto Escrever, de Marguerite Duras, não se sai indiferente. Aliás, esse é um texto que não passa. Esse é um texto que fica latejante. E o que contém, o que é que mobilizam textos assim?
O que dizer, o que escrever depois de um poema desses?
Mãos fechadas dificilmente apalpam, seguram, medem durezas e levezas, mudam algo de lugar ou constroem coisas.
Altamente incapturável e altamente matérica. Essa tese atua como a própria voz da autora, ao mesmo tempo em que é uma evocação de todas as vozes e, ainda assim, produz ressonâncias em nós.
Quem nunca se deparou com a reformulação de uma questão? E quem já se deu conta de que as questões-cerne de nossas vidas, as questões essenciais nos formulam e reformulam?
Nesse artigo, a criadora da pós-graduação Caminhada como método para arte educação, Edith Derdyk explicita os percursos de formação que sustentam os enunciados: a caminhada como um ato poético; a caminhada como um potente deslocador de sentidos.

