Partilhamos aqui poemas de Ju Tolentino, poeta, pesquisadora e professora de sociologia, na semana da Mulher Negra.
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Além de trazer sua ambientação, seus acontecimentos recorrentes, em “Sul da Fronteira, oeste do sol” a relação do protagonista com uma mulher misteriosa que foi sua melhor amiga de infância desnuda a fragilidade daquilo que chamamos de equilíbrio, estabilidade ou até felicidade.
Além de trazer sua ambientação, seus acontecimentos recorrentes, em “Sul da Fronteira, oeste do sol” a relação do protagonista com uma mulher misteriosa que foi sua melhor amiga de infância desnuda a fragilidade daquilo que chamamos de equilíbrio, estabilidade ou até felicidade.
O título do primeiro capítulo já me fez pausar a leitura e voltar pra dentro: “A presença é a única deusa que eu adoro”. Achei bonito, mas difícil. Até anotei no caderno, comentando: como é que vou gostar, adorar o presente no meio dessa pandemia, com um desgoverno desses, longe das amizades?
Adentro o abismo que escolhi e começo a bordar. Um modo. Blanchot é uma voz vinda de outro lugar. Atiro tudo no poço e aguardo a colisão.
Compartilho alguns trechos do livro esculpir o tempo, que o cineasta Andrei Tarkovski escreveu. Seus filmes, que revi nessa quarentena, me causam uma mistura de estranhamento, entusiasmo e calma. Além disso, dão um sentido renovado de fluxo alegre aos tempos que chamamos de terríveis.
Nikki Giovanni é poeta, educadora, editora e ativista. Nasceu em Cincinnati, nos EUA, em 1943. Fez parte do Black Arts Movement no final dos anos 1960. Influenciada pelo Movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e pelo Movimento Black Power da época, seus primeiros trabalhos fizeram com que ela fosse conhecida como: Poeta da Revolução Negra. É autora de vários livros de poemas e atualmente professora titular no Virginia Tecch.
Quando uma escrita se faz urgente, nasce um texto.
Quando um movimento interrompe o cotidiano, nasce uma dança.
E quando a escrita e a dança procuram-se mutuamente? E quando uma dança solicita uma escrita e uma escrita solicita uma dança? Nasce um livro, nasce uma parceria entre editoras. Nasce uma amizade, um diálogo. Nasce muito.
A autora Carol Fernandes conta sobre o processo de criação do livro: Se eu fosse uma casa: “Em março do ano passado, bagunçada pela dura realidade do isolamento social, em virtude da pandemia do coronavírus, fui instigada a refletir o quanto de mim impregna as paredes, teto, chão, quintal, horta e muros da minha casa e, também, o quanto do meu corpo se pavimenta das matérias desta habitação. Em um movimento de distanciamento social somos obrigados a nos encarar, os relógios nos pregam peças e os calendários se aposentam, não há possibilidade de fuga. Acabei conhecendo, por nome e sobrenome, alguns fantasmas moradores daqui.”
Este poema é fruto da experiência vivenciada no trabalho de pesquisa sobre as pessoas que ocupam os espaços entre o asfalto da BR-101 e as cercas das
fazendas, nas proximidades do município de Teixeira de Freitas, Extremo Sul da Bahia. Visitar as moradias durante o estudo de campo resultou a dissertação de mestrado que externou como vivem essas pessoas, à beira da vida.

