Já pensou num livro de uma folha só?
O poeta e artista campineiro João Proteti, pensou. E foi além.
Livros à Mão
— Qualquer vírgula passa a ser suspeita quando um escritor, que desde os 11 anos SABIA que queria ser escritor, declara: [sic] “não sentia nenhum desejo ou necessidade de escrever o que quer que fosse”.
Esse amor começou com a minha livreira preferida de cupido. Chegou pelo correio, com o já tradicional embrulho de tecido e a flor de crochê da Biblioteca Amarela.
Eu tinha acabado de me decretar em férias. Sentei no meu lugar de ler, sem relógio nem celular.
Preciso contar que pensei em muitas coisas para escrever sobre o livro, suas tantas camadas verbais e tantas outras visuais e táteis. Mas depois de me deixar realmente penetrar por ele e pela música que escolhi para acompanhar esta escrita, meu desejo maior foi o de sentar-me à sombra de uma árvore, fechar os olhos a absorver a vida apenas com o pulmões.
Pra mim, o cheiro é uma forma mais delicada de rezar. Depois vem o tecido, depois a costura, que também pode ser chamada de escrita. Todas as três são preces porque chegam.
Quero muito falar sobre ela, mas mal a conheço e certamente vou passar minha vida a conhecê-la. Ela misturou vida e obra na mesma panela; leituras e releituras de gestos, sentimentos, sons, palavras, memórias. Teve uma vida de assombros, de descobertas, de sobressaltos de experiências, de “não sei”.
Gente é pra contar. Afirmação cortante de Renata Penzani, a partir do livro Todas as pessoas contam. Uma leitura ardente, experimentada, concreta, vital.
Ivy Calejon retorna a sua cidade natal para encontrar mais fios de sua tessitura vital.
A semana comemorativa do centenário do nascimento de Clarice Lispector abreviou minha sempre
indecisão. Tinha que falar dela, e não precisei de mais que alguns segundos para tomar nas mãos aquele
que para mim é seu livro mais infindável. “A paixão segundo G.H.”
São 15 ensaios, nos quais 6 me contam sobre os autores que ele mais admira.

