O desgaste político-miliciano parece querer sequestrar a linguagem,
que deixa de criar significados para repetir infinitamente um retorno
ao estéril – memes – do mesmo. Sob pressurização, sem espaço, sem entrelinhas. Zoom-Zumbidos. Burburinho-Bárbaro. Tagarelar- Babélico. As palavras que se instalam na linha de front, nas barricadas, são palavras roubadas. Palavras alinhadas. Palavras de prontidão. Palavras à serviço. Palavras de Ordem. Progressistas. Aliciadas. Alistadas. Palavras em linha de produção. Palavrarmada. Palavraria. Palavrório. Palavrices. Palaviral. Palavranão. Palavras estado de emergência?
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Preciso contar que pensei em muitas coisas para escrever sobre o livro, suas tantas camadas verbais e tantas outras visuais e táteis. Mas depois de me deixar realmente penetrar por ele e pela música que escolhi para acompanhar esta escrita, meu desejo maior foi o de sentar-me à sombra de uma árvore, fechar os olhos a absorver a vida apenas com o pulmões.
Livro ilustrado. Livro-álbum. Tem palavra ou só imagem? Tem menos texto que antigamente nos livros infantis? Isto representa uma predileção pela ilustração nas obras contemporâneas dedicadas à infância?
Esses versos do livro de poemas Avesso, de Danielle Monteiro, me chegaram de presente pelo correio, envolvido em um azul petróleo, livro de textura profunda, chamado Avesso. Logo, sou chamada a pousar na palavra petróleo- óleo que se retira da pedra.
Pra mim, o cheiro é uma forma mais delicada de rezar. Depois vem o tecido, depois a costura, que também pode ser chamada de escrita. Todas as três são preces porque chegam.
Quero muito falar sobre ela, mas mal a conheço e certamente vou passar minha vida a conhecê-la. Ela misturou vida e obra na mesma panela; leituras e releituras de gestos, sentimentos, sons, palavras, memórias. Teve uma vida de assombros, de descobertas, de sobressaltos de experiências, de “não sei”.
Escrevo rente aos fios. Começo por roubar uma epígrafe, uma dupla-captura, um entre possível. Escrevo rente à paisagem perfurante do butoh, aos pontos que se deslocam no tecido, ao bando e a todas as vozes que falam em mim.
Gente é pra contar. Afirmação cortante de Renata Penzani, a partir do livro Todas as pessoas contam. Uma leitura ardente, experimentada, concreta, vital.
Após o encontro com o testo O Narrador, de Walter Benjamin, Damiane Niomara se re encontra com seu avô e suas histórias.
Tati Fraga e sua pesquisa por entre a escrita-sonho nos dá a ler seu texto Onilíricos II.

