Não se pode esperar dos livros que nos ensinem aquilo que queremos aprender. Nos dias de sorte, eles nos pegam pela mão, e nos levam aonde precisamos ir. Com a biografia da poeta polonesa Wislawa Szymborska, Quinquilharias e recordações (editora Ayiné), foi assim.
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melhor seria: “como foi que chegamos até aqui?” porque nunca se chega sozinho, ou nunca se chega, mas esse é apenas um convite.
se agulha não é lápis
escrever é escrever
costurar é costurar?
Tati Fraga vai cometer um livro de poemas amanhã. E ele se chama: Essa palavra sem coração.
Como continuar? O que me faz retornar no dia seguinte? Há que se passar por essas perguntas sem possuí-las. Nesse exato ponto em que escrever nesse blog já se tornou um cômodo sem móveis nem ressonâncias.
Esses dias iniciei uma nova aventura: dei meus primeiros passos na caligrafia japonesa.
Sei que é um caminho de uma vida inteira e eu, com muito otimismo, só tenho mais metade. Mas não pretendo aprender japonês e muito menos adquirir alguma maestria na arte do shodo. Quero experimentar escrever uma única frase, que é também o significado do shodo: o caminho da escrita.
Onilíricos é a série sonhos-escritos da poeta Tati Fraga. Ou de escrita-sonho. Aqui temos o número quatro.
Num tempo marcado por desesperança, pela cultura do desamor e pela palavra carcomida por mentiras, a poesia é uma porta aberta, uma pousada hospitaleira onde podemos, talvez, curar algumas feridas. Foi nessa busca de um horizonte possível que encontrei o novo livro de Arnaldo Antunes.
Reuni quatro passagens de quatro autores diferentes. Alemão, espanhol, italiano e português, respectivamente Sloterdijk, Gamoneda, Pavese e Herberto Helder. Pavese foi o único que não consegui dar contorno e incluí-lo à trama deste texto.
… o fim do primeiro mês de um ano diferente, em que o encontro de carne e osso e alma ainda era possível.

