Eu era pequena e acreditava naquelas histórias. E sonhava com o dia em que poderia acompanhar o avô herói em suas aventuras pelas florestas. Texto de Angela Pappiani e narração de Cristiana Ceschi.
Saberes d’A Casa
Sempre me expressei melhor com palavras escritas. Elas diziam mais fácil o que eu queria dizer. Diziam melhor por mim. Ponto. Encontrei o tal prazer, me desafiando em cursos de Narração de Histórias. Encontrei outro jeito de dizer. Ponto. Leia aqui o trabalho de conclusão de curso de Claudia Regina Ricci.
Adentro o abismo que escolhi e começo a bordar. Um modo. Blanchot é uma voz vinda de outro lugar. Atiro tudo no poço e aguardo a colisão.
Como continuar? O que me faz retornar no dia seguinte? Há que se passar por essas perguntas sem possuí-las. Nesse exato ponto em que escrever nesse blog já se tornou um cômodo sem móveis nem ressonâncias.
Quando eu me deparei com a necessidade de escrita do meu projeto de TCC do curso “O livro para a infância”, eu sabia apenas que queria trabalhar com duas coisas: a mediação de leitura e o corpo. Sim, pois eu sou bailarina e também professora de português, mas sempre me vi diante do dilema: como fazer esses dois universos convergirem?
No final do ano passado (o fatídico ano de 2020), com uma turma “pioneira”, em parceria com A Casa Tombada e a educadora Camila Feltre, comecei a construção de uma espécie de “laboratório da fantasia” — não para fugir da realidade, embora isso, para alguns, possa soar como uma proposta bem atraente — mas, ao contrário, para tomar consciência das potencialidades estéticas do pensar/fazer, de como construir coisas novas por meio de “ideias estéticas”: formas criativas de narrar, de provocar o riso, de olhar para os objetos, para as pessoas, seus hábitos, peripécias e outras balbúrdias.
Será que ler palavras escritas com a caligrafia, que é própria de cada pessoa, é a mesma coisa que ler palavras digitadas, que estão quase sempre no mesmo formato e que sem assinatura nem sequer sabemos quem escreveu? Como professora há quase 20 anos, muitas vezes recebi atividades sem nomes e muitas vezes as identifiquei pela letra já conhecida por mim daqueles/as estudantes. Trabalhos digitados, sem nome, não permitem isso…
Livro ilustrado. Livro-álbum. Tem palavra ou só imagem? Tem menos texto que antigamente nos livros infantis? Isto representa uma predileção pela ilustração nas obras contemporâneas dedicadas à infância?
Escrevo rente aos fios. Começo por roubar uma epígrafe, uma dupla-captura, um entre possível. Escrevo rente à paisagem perfurante do butoh, aos pontos que se deslocam no tecido, ao bando e a todas as vozes que falam em mim.
Após o encontro com o testo O Narrador, de Walter Benjamin, Damiane Niomara se re encontra com seu avô e suas histórias.

