A literatura guarda essa preciosa potência do silêncio e se um dia ela, a literatura, desaparecer, por uma hipotética vitória do pensamento autoritário ao redor do mundo, os livros seriam ainda seus guardiões – os guardiões do silêncio, portanto, do atrito, da resistência.
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Quando ganhei esse livro, fiquei curiosa com ele, mas não o li. Não era para mim. Como diz o título, são “cartas a um jovem poeta”, e eu era uma fonoaudióloga-pesquisadora-decepcionada voltando para o consultório.
Este ano parece que estamos vivendo uma enorme ressaca no mar, que por tempestades e mudanças atmosféricas bruscas, avança e reflui, expondo na areia lixos que não conseguimos mais esconder.
“eu estava na praia, em frente ao mar. dormia em rede. dormia, dormia. quando acordei percebi que a rede estava muito alta.”
Acompanhar o percurso de alunos e alunas educadores, seus processos de pesquisas com crianças, suas descobertas e surpresas ao se abrirem para conhecê-las nas suas singularidades – independentemente do grupo e contexto onde cada criança se encontra – é, confesso, uma das maiores alegrias que um formador pode ter na sua vida pessoal e profissional.
ainda que não se tenha desenhado as raízes do pensamento em um solo firme,
ainda que nos comportemos como flores suspensas em vasos que não conseguem formular seus cresceres mais ocultos,
Esta carta não vai chegar a você, mas espero que chegue aos olhos de alguém que também goste de você ou de alguém que não o conheça, mas queira conhecê-lo só porque aticei sua curiosidade.
Estar diante deste livro é como se aproximar de uma cabana de cerimônia do chá japonesa. Ou como eu imagino que seja essa experiência
Não podemos deixar que o atual Farnheit queime nossas memórias, nos deixando à mercê diante da promessa de um desastre. Por estas e outras, o nosso eterno elogio aos livros que nos constituem!
Escute aqui a contadora de histórias paulistana Kelly Orasi contando a lenda Caiapó “Begorotire, o deus da chuva”.

