Onilíricas I, por Tati Fraga

por Tati Fraga

 

 

I.

eu estava na praia, em frente ao mar. dormia em rede. dormia, dormia. quando acordei percebi que a rede estava muito alta. solta nas nuvens. não estava presa em nenhum lugar, mas era segura. o vento soprava forte na direção oposta ao mar, o que fazia (não sei como nem por quê) com que a rede ficasse parada, sem balançar, sem ir ou voltar, flutuando lá muito alta. nem estava ligando para nada disso enquanto eu estava dormindo ou logo quando acordei. mas quando realmente me dei conta do que estava acontecendo, segurei bem firme na rede, olhei para baixo e fiquei com um pouco de (nem tão pouco) medo. até porque – pensei – quando o vento parasse de soprar a rede ia desabar muito rápido. mas não. foi uma viagem lenta. e quando a rede começou a descer eu reparei que o sol estava nascendo atrás do morro e entendi que não era para ter medo. quanto mais a rede descia devagar, mais o sol aparecia. foi quando percebi que ainda era noite e o que aparecia atrás da montanha era a lua cheia. e só aparecia porque a rede caía.

 

imagem: @ricsherwin
L E A P⁣

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