Olhei para a estante e encontrei os que são pegos com reverência, conservados em suas embalagens originais, invejados pelos outros livros devorados, grifados, grafados e de orelhas dobradas, coitados. A Casa da vó - por LiLiana Pardini.
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Sabemos que nem Deus podia imaginar o vermelho do gerânio, ou o perfume do resedá
um dia alguém percebeu que escrevia e desenhava pedaços de algo nas paredes de vapor do chuveiro ligado.
Escute o conto Barba Azul dos irmãos Grimm na voz de Ana Luisa Lacombe.
Somos convocados à experiência de uma leitura que nos inscreve em uma espécie de paisagem aérea - uma espécie de vagar em estado de devaneio, suspenso. Ao ler, vamos tropeçando nos encadeamentos das palavras, nas rasuras de um pensamento sobre o pensamento de sua própria construção.
O que podemos esperar para além da curva daquela trilha que caminha para alcançar o vale?
Ou da encosta que sobe para encarar o contorno de um horizonte?
Ou dos cantos das esquinas de uma cidade, feitos de um coral dissonante tal o marulho das ondas do ar?
por onde começa uma paisagem? não sabemos como começamos.
no entanto,
há uma árvore aqui na minha janela, mais exatamente uma copa inteira.
Além de acabar com a monotonia dos cabelos, o que chama atenção é que as orelhas parecem ter uma intimidade fundamental com as mãos.
Narração do conto A Esquina, de Ondjaki, por Letícia Liesenfeld
O ano era 2015, havia um recém-nascido aqui e mais esse presente. Demorei dois anos para me encorajar a tirar o Tim Ingold da estante.

