Leitor apaixonado, Rodrigo Dida nos conta da sua experiência de ilustrar Do Òrun e o Àiyé.
Livros à Mão
Diálogo a partir do poema Leitor, de Rainer Maria Rilke, por Leticia Liesenfeld e Liliana Pardini
O romance de estreia do escritor vietnamita Ocean Vuong é um pouco isso: um ensaio sobre a condição humana, sempre incompleta e por isso mesmo completa em si mesma. “Sobre a terra somos belos por um instante” (editora Rocco, 2020) me fez companhia nos últimos dias, uma companhia tão precisa quanto uma xícara de chá no côncavo de duas mãos frias em um dia de inverno, dessas coisas que são mais necessárias pela quentura que pelo conteúdo.
Além de trazer sua ambientação, seus acontecimentos recorrentes, em “Sul da Fronteira, oeste do sol” a relação do protagonista com uma mulher misteriosa que foi sua melhor amiga de infância desnuda a fragilidade daquilo que chamamos de equilíbrio, estabilidade ou até felicidade.
O título do primeiro capítulo já me fez pausar a leitura e voltar pra dentro: “A presença é a única deusa que eu adoro”. Achei bonito, mas difícil. Até anotei no caderno, comentando: como é que vou gostar, adorar o presente no meio dessa pandemia, com um desgoverno desses, longe das amizades?
A autora Carol Fernandes conta sobre o processo de criação do livro: Se eu fosse uma casa: “Em março do ano passado, bagunçada pela dura realidade do isolamento social, em virtude da pandemia do coronavírus, fui instigada a refletir o quanto de mim impregna as paredes, teto, chão, quintal, horta e muros da minha casa e, também, o quanto do meu corpo se pavimenta das matérias desta habitação. Em um movimento de distanciamento social somos obrigados a nos encarar, os relógios nos pregam peças e os calendários se aposentam, não há possibilidade de fuga. Acabei conhecendo, por nome e sobrenome, alguns fantasmas moradores daqui.”
Muitos de nós crescemos tortos para o amor: incapazes de dar, desesperados por receber. Ou um contrário perverso disso: desesperados para dar, incapazes de receber. Quando não uma combinação cruel das duas coisas: incapazes de dar e de receber.
Segundo a Teoria da Navete, cada ser humano possui um corpo físico e um corpo cósmico. O físico é esse que podemos ver. E o cósmico é o universo interior, “que pode ser comparado a uma nave espacial com milhões e milhões de botões… que representam as emoções, os sentimentos, as sensações, o passado, os gostos e o porquê misterioso do nosso ser.”
Estreando em nosso blog, Paola Damascena Possari nos traz uma carta aberta para Oyèronké Oyěwùmí.
O livro é Tempo de voo, de Bartolomeu Campos de Queirós, ilustrado pelo espanhol Alfonso Ruano e publicado pela primeira vez em 2009, pela editora SM (hoje republicado pela editora Global). Sim, mais uma vez ele aqui. “Mil vezes mil.” Bartolomeu é necessário.

