Fui interpelada por esse poema na última sexta-feira, com a seguinte informação: estamos saindo da Covid, mas já melhores. No dia mais crítico da doença saiu esse poema, disse o Edson Cruz.
Poema à porta
Sabemos que nem Deus podia imaginar o vermelho do gerânio, ou o perfume do resedá
por onde começa uma paisagem? não sabemos como começamos.
no entanto,
há uma árvore aqui na minha janela, mais exatamente uma copa inteira.
São trechos de uma colcha que vai até os primeiros da família.
Meu avô dizia que vivemos submersos em certa água invisível para nós, como acreditava ser
Minha voz! Exila-te de mim. Esvazia-te de tudo.
Porque falar de amor. Se existe algo que importa é o corpo a corpo. A germinação do corpo das flores e dos pássaros, dos ovos, dos frutos; e a experiência de sermos em relação direta, em campo íntimo e aberto.
O que dizer, o que escrever depois de um poema desses?

