Tati Fraga e sua pesquisa por entre a escrita-sonho nos dá a ler seu texto Onilíricos II.
Poema à porta
Raquel me ensina que não basta dizer sim. É preciso descer ao inabitado dos mundos.(p.69)
Coccia me ensina que falar significa fazer com que a nossa pele exista fora de nós. (p. 85)
tenho três fragmentos. escuto o eco de grito de uma cabra vindo de meu ouvido esquerdo. escuto-a insistentemente todas as manhãs
Este ano parece que estamos vivendo uma enorme ressaca no mar, que por tempestades e mudanças atmosféricas bruscas, avança e reflui, expondo na areia lixos que não conseguimos mais esconder.
Não podemos deixar que o atual Farnheit queime nossas memórias, nos deixando à mercê diante da promessa de um desastre. Por estas e outras, o nosso eterno elogio aos livros que nos constituem!
Os sonhos aparecem em turbilhões intensos, lembranças náufragas, enredadas em musgos. Os sonhos produzem realidades que irrompem em meio aos destroços.
Porque já me vesti de pastor tantas vezes, no prazer de testemunhar uma palavra para a passagem da carne no tempo, juntei esses versículos.
porque a linha de horizonte – esta região impalpável porém eternamente presente, delineando o limite do infindável – reverbera insistentemente em minha pesquisa sobre desenho, compreendendo a linha como seu elemento estruturalmente vital.
Emily Dickinson, nasceu há quase 200 anos, nos EUA e antes de começar a escrever, cultivou um jardim na sua casa em Amerst, onde morou por toda a vida.
No instante em que li este poema de João Cabral de Melo Neto, pela primeira vez, os versos imediatamente ingressaram na paisagem que tanto caminho – a do desenho. Pode parecer meio estranho esta espécie de contrabando, emprestando a imagem deste poema e justapondo tais versos ao território do desenho

