Ganhei este livro, Olhos D’Água (Conceição Evaristo), em agosto de 2017. Era o meu aniversário de 24 anos. Já fazia um tempo que tinha ouvido burburinhos sobre a obra e a cada dia que passava sentia um desejo ainda maior em ter o livro.
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Partilhamos aqui poemas de Ju Tolentino, poeta, pesquisadora e professora de sociologia, na semana da Mulher Negra.
Além de trazer sua ambientação, seus acontecimentos recorrentes, em “Sul da Fronteira, oeste do sol” a relação do protagonista com uma mulher misteriosa que foi sua melhor amiga de infância desnuda a fragilidade daquilo que chamamos de equilíbrio, estabilidade ou até felicidade.
Além de trazer sua ambientação, seus acontecimentos recorrentes, em “Sul da Fronteira, oeste do sol” a relação do protagonista com uma mulher misteriosa que foi sua melhor amiga de infância desnuda a fragilidade daquilo que chamamos de equilíbrio, estabilidade ou até felicidade.
O título do primeiro capítulo já me fez pausar a leitura e voltar pra dentro: “A presença é a única deusa que eu adoro”. Achei bonito, mas difícil. Até anotei no caderno, comentando: como é que vou gostar, adorar o presente no meio dessa pandemia, com um desgoverno desses, longe das amizades?
Adentro o abismo que escolhi e começo a bordar. Um modo. Blanchot é uma voz vinda de outro lugar. Atiro tudo no poço e aguardo a colisão.
Compartilho alguns trechos do livro esculpir o tempo, que o cineasta Andrei Tarkovski escreveu. Seus filmes, que revi nessa quarentena, me causam uma mistura de estranhamento, entusiasmo e calma. Além disso, dão um sentido renovado de fluxo alegre aos tempos que chamamos de terríveis.

