Livros são criaturas que podem fazer de tudo. Uns emocionam, outros divertem, alguns ensinam, muitos assombram. Poucos afetam nossa química. Como se um big bang particular acontecesse dentro da nossa cabeça, uma mini supernova explodisse em milhares de luzes, e ganhássemos uma fresta de infinitude para ver a vida de um outro lugar; um lugar de onde não conseguimos mais desver – nem se quiséssemos.
Cursos A Casa Tombada
Preciso pedir licença a memória desse querido e admirado escritor para tocar em sua obra, Um toque amoroso e despretensioso. Usando meu direito de leitora, pretendo dizer apenas dos afetos.
“Foi preciso deitar o vermelho sobre o papel branco para bem aliviar seu amargor.”
Não se pode esperar dos livros que nos ensinem aquilo que queremos aprender. Nos dias de sorte, eles nos pegam pela mão, e nos levam aonde precisamos ir. Com a biografia da poeta polonesa Wislawa Szymborska, Quinquilharias e recordações (editora Ayiné), foi assim.
melhor seria: “como foi que chegamos até aqui?” porque nunca se chega sozinho, ou nunca se chega, mas esse é apenas um convite.
se agulha não é lápis
escrever é escrever
costurar é costurar?
Tati Fraga vai cometer um livro de poemas amanhã. E ele se chama: Essa palavra sem coração.
Como continuar? O que me faz retornar no dia seguinte? Há que se passar por essas perguntas sem possuí-las. Nesse exato ponto em que escrever nesse blog já se tornou um cômodo sem móveis nem ressonâncias.
Esses dias iniciei uma nova aventura: dei meus primeiros passos na caligrafia japonesa.
Sei que é um caminho de uma vida inteira e eu, com muito otimismo, só tenho mais metade. Mas não pretendo aprender japonês e muito menos adquirir alguma maestria na arte do shodo. Quero experimentar escrever uma única frase, que é também o significado do shodo: o caminho da escrita.
Onilíricos é a série sonhos-escritos da poeta Tati Fraga. Ou de escrita-sonho. Aqui temos o número quatro.
Num tempo marcado por desesperança, pela cultura do desamor e pela palavra carcomida por mentiras, a poesia é uma porta aberta, uma pousada hospitaleira onde podemos, talvez, curar algumas feridas. Foi nessa busca de um horizonte possível que encontrei o novo livro de Arnaldo Antunes.

