Isabela Miranda faz uma resenha-mais-que-afetiva entrelaçando suas memórias de infância com o livro “Com qual penteado eu vou?” de Kiusam de Oliveira.
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Sou nortista, parida nas beiras do rio Tapajós. Sou mulher negra, com deficiência, cinemista de beira, documentarista da Amazônia. De estudo, sou mestre em sociologia pela UFPA, funcionária pública na Universidade Federal do Oeste do Pará. A poesia se manifestou muito cedo.Aos 20 anos escrevi meu primeiro livro, nunca publicado, chamado “água, sal e açúcar”.
Rumi conta a história de uma criança em situação de rua que, acompanhada do seu gatinho Nico, revira lixo e faz malabarismo no sinal na tentativa de se alimentar. Vez ou outra é ajudado por uma mão caridosa, a Tia, que é uma senhora que sempre que pode doa algo ao menino, um pouco de comida, uma peça de roupa, uma conversa.
Durante muitos anos eu escutei histórias tradicionais, no aconchego de minha casa, balançando na rede; dentro das casas de palha cheirosa nas aldeias, com o foguinho estalando ou deitada nas esteiras no pátio aberto para o céu de mil estrelas. Histórias do tempo do poder que falam da criação do mundo, das paisagens, dos seres vivos de todo tipo, dos afetos, dos rituais.
Criei a coleção em 2018, já na reta final do doutorado, a fim de promover o encontro que sustenta o insustentável gesto da escrita com você, pessoa leitora. Os títulos: Cartas (não) filosóficas e Ensaio Corpográfico, editados em tiragem mínima (quando artesanais) ou máxima (quando virtuais), variam da forma impressa, manuscrita, digital, até “livros quase-de-artista”, como costumo chamar, e quase sempre partem de caderninhos de papel para ganhar nova vida na página e/ou na tela.
Um dos fatos mais impactantes deste ano foi a morte voluntária do artivista indígena Macuxi Jaider Esbel. Sim, ainda está em curso a morte de mais de 600 mil pessoas vítimas da Covid-19 mas isso ultrapassa a condição de fato, é impensável e ininteligível.
arritmia
vários são os fatores
que fazem um coração disparar
uma noite mal dormida
o corpo sem comida
ou um novo amor a pulsar.
Esse é um livro para abrir em dia de chuva. Dentro ou fora.
E nem precisa ser pelo começo e ir até o fim. Dá pra convidar o acaso para uma xícara de chá.
Aos nove anos eu escrevi meu primeiro poema, num caderninho rosa, da barbie, minha avó tinha comprado naquelas revistinhas que vendiam de tudo, ter um caderno me ajudou a escrever e acredito que foi um dos primeiros incentivos para continuar. .
Natalia Barros faz um poemadeclaração à Casa Tombada após entrar mais uma vez nessa casa-abraço, em novembro de 21.

