por Giuliano Tierno
Aparece assim na introdução do livro:
Quem conta um conto que é parte
De nossa ancestralidade
Difunde, divulga a arte,
Velha como a humanidade.
Vozes da Tradição escrito por Marco Haurélio e ilustrado por Luciano Tasso com colaboração de Lucélia Borges é desses livros imprescindíveis para quem quer mergulhar na alma do povo brasileiro e nas memórias (reminiscências?) dos nossos velhos.
Não tem sido politicamente correto usar o termo velho. Tampouco o autor explicita esse termo ou que essas vozes são de velhos. Mas infiro que se trata de vozes velhas.
Mas, por que insisto em dizer, ainda que não seja o vetor do livro, falar sobre o velho?
É que o velho é o sentido do novo, é a direção à qual todas e todos caminharemos e o caminhante precisará dessa aliança para seguir no caminho.
Quando ignoramos os velhos e as suas lembranças, criamos um problema sério para nós os caminhantes.
Marco Haurélio há muito tempo dedica-se a escutar nossos contadores de histórias que têm na memória a resistência das marcas da humanidade mais longínqua. Marco Haurélio, marca essas Vozes nomeando-as como nossa Tradição.
Etimologicamente a palavra tradição tem dentro dela também a palavra tradução, traducere do latim ou tradere, que também nos deu a palavra traição. Tradição, tradução, traição… receber o passado para atualizar o presente com vistas a deixar o futuro na sua surgência libertária.
Sem tradição não há presentes e futuros possíveis.
Marco em Vozes da Tradição é uma espécie de arqueólogo e de astronauta.
Explico: como arqueólogo escava as memórias mais longínquas das gentes mais bonitas desse país; como astronauta lança no espaço e no tempo do futuro de agora, contos de animais, contos maravilhosos, contos religiosos, contos novelescos, contos do ogro estúpido, contos jocosos, contos de fórmulas… Nós seres desmemoriados das cidades siderais, temos a chance, nos ofertada por esse generoso pesquisador/autor/escritor, de recolher no nosso cesto esses pedaços densos de humanidade para refazermos nossa civilização.
Fica o convite.
Por fim, escutamos na Voz das Vozes do próprio Marco Haurélio:
“Se a literatura dos antigos salvou do esquecimento os deuses e heróis, os contos de tradição oral, por outro lado, preservam episódios e estruturas arcaicas, informações sobre ritos e mitos, nos conectando a um tempo que, talvez, somente nos sonhos e nos domínios do inconsciente ousássemos perscrutar”. (pp. 9)
Excelente leitura… tudo ali é presente: em duplo sentido.
Vozes da Tradição
Fortaleza 2018
Editora IMEPH
Autor: Marco Haurélio
Ilustrações: Luciano Tasso
Colaboração: Lucélia Borges




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