Todos eles tiveram uma morte deles

Quando penso nos outros que eu vi ou de quem ouvi falar: é sempre a mesma coisa. Todos eles tiveram uma morte deles. Estes homens que a traziam na armadura, lá dentro, como um prisioneiro; estas mulheres, que envelheciam muito e se faziam pequenas e depois tinham um trespasse discreto e senhoril sobre um leito imenso, como sobre um palco, perante toda a família, a criadagem e os cães. E até as crianças, mesmo as mais pequenas, não tinham uma morte infantil qualquer; chamavam a si todas as suas forças e morriam segundo o que já eram e o que teriam vindo a ser. (Rilke, Os cadernos de Malte Laurids Brigge, 1974, p. 38)

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