O presente documento atesta que conclui o
curso "Gestos de escrita como prática de
risco”. Documentar é necessário. Mas por que
documentamos? Arquivamos? O que documentamos?
O que arquivamos? No que implicam estes
gestos? O que há de nós em cada coisa
arquivada? Há diferença entre uma coleção e
um arquivo? As regras das boas maneiras da
escrita formal diriam que não se pode colocar
perguntas em um resumo mas, se existe algo
elucidativo é questionar-se.
Para criar este documento foi necessário
revirar alguns tantos outros que estavam
guardados. Todas as coisas que temos carregam
intenções e afetos. Simbolizamos a todo
momento, basta estar aberto para
perceber(se). Quando colecionamos, estamos em
busca de um fragmento do tempo que por alguma
razão, queremos manter e retomar e desdobrar
e revelar e esquecer e transformar e criar e
e e e e ad infinitum.
Ser não está dado. Já que aqui falamos de
documentos, não existem planilhas que deem
conta do sensível, da imagem. Elas estão no
mundo e para o mundo, assim como nós. E só é
possível ir de encontro ao mundo através de
“e” ad infinitum porque só é possível ser
matéria em transmutação. Não existe a
possibilidade de sermos algo único e
estanque, só podemos ser desejo e potência.
E o desejo aqui é trazer uma memória para a
materialidade. É dar um fim e encaminhar
algumas imagens para que eu possa parir
novas. Talvez um resumo deva ser mais
explicativo.
Talvez.
Mas este não será e esse será meu primeiro
gesto desejante.