Seminário Educação e Democracia:
Alternativas para patologização e medicalização da infância

Sobre o seminário

O atual contexto político brasileiro de instabilidade democrática, ataque aos direitos sociais e crise de confiança nas instituições contribui também para o ataque ao direito universal de acesso a educação pública e de qualidade.

O momento exige que sejamos radicais no compromisso com a ética pela defesa da democracia e de seu aprofundamento. Precisamos refletir sobre a qualidade do cenário que estamos apresentando às nossas crianças e como será o mundo que elas poderão oferecer às próximas gerações, sem construir um discurso irresponsável que transfere apenas às crianças a responsabilidade sobre o futuro. Resistir as investidas do fascismo em defesa da democracia é neste sentido uma obrigação verdadeira com a infância.

Em ocasiões como estas a verdade se torna clandestina e espaços como A Casa Tombada se transformam em refúgios para palavras e pessoas. Faz-se urgente e necessário resistir e buscar construir espaços de reflexão e produção de conhecimento, espaços que nos permitem crer na vida, entendendo que se em algum lugar uma democracia morre em outros nascem novas democracias, mais potentes, mais participativas e diretas.

Neste sentido, diversas experiências educativas escolares e não escolares, públicas, privadas ou do terceiro setor, nos convencem de que a escola pode ser de fato um local de produção de vida, de saúde, de arte, conhecimento e de democracia, na contramão, por exemplo, de experiências que insistem em dopar suas crianças e adolescentes por conta de diagnósticos vinculados a supostas dificuldades de aprendizagem.

Propomos uma reflexão sobre as infâncias possíveis nestes cenários e mais especificamente buscamos analisar as causas e consequências da medicalização da infância como um sintoma de uma sociedade em algum lugar incapaz de se enxergar e se reconstruir. Sabemos que após a APA (American Psychiatric Association) publicar o DSM-III (Diagnostic and Satical Manual of Mental Disorders), em 1980, e incluir o TDAH em sua lista de distúrbios e doenças mentais, milhares de crianças de diferentes países passaram a ser diagnosticadas e medicadas com o Metilfenidato, mais conhecido pelo nome comercial de Ritalina, ou Concerta.

Nos últimos vinte anos a droga passou a ser comumente indicada para o tratamento de possíveis transtornos e distúrbios relacionados ao processo de aprendizagem de crianças e adolescentes. O Brasil já é o segundo maior consumidor desta droga em todo o mundo, atrás apenas dos EUA, em dez anos nosso consumo cresceu 775%, de acordo com levantamento realizado pela UERJ.

Neste ciclo de debates nos debruçaremos a fundo sobre os fundamentos desta epidemia medicamentosa e alternativas a esta lógica de educação e política que reduz o sofrimento psíquico de estudantes a processos diagnósticos medicamentosos.

Diversas escolas públicas e não públicas já pensam seus processos educativos de forma a respeitar a condição do ser criança e nos provam como aprender sentindo o que sentem permite que cresçam podendo ser quem verdadeiramente são.

curadoria: Denis Plapler

 

Programação das conversas:

Mesa I  Escolas que resistem
Com: Alcinda Mariaíndia, Daniel Ferraz Chiozzini, Ana Elisa Siqueira
data: 17/08, sábado
horário: das 10h às 13h

Mesa 2 –  A linguagem que adoece
Com: Carla Ferro, Jason Gomes, Rozi Gonçalves
data: 21/09, sábado
horário: das 10h às 13h

Mesa 3 – A infância sufocada
Com: Renata Meirelles, Franciele Busico e Denis Plapler
data: 28/11, quinta-feira
horário: das 19h30 às 22h

Quem são os participantes da Mesa 1?

alcinda

Alcinda MariaÍndia ou, Alcinda Maria Uruitá, traz no sangue a curiosidade e a ousadia de seu povo raiz: O Tupinambá. Estudou Serviço Social na UFPA e Antropologia no Museu Paraense Emílio Goeldi, onde teve o seu segundo despertar para o tema EDUCAÇÃO. O primeiro ocorreu ainda na adolescência, quando conheceu o Método Paulo Freire e atuou como alfabetizadora de adultos na periferia de Belém. Nos anos 70, saindo do Norte para o Sudeste, mudou-se para SP, onde deu continuidade às suas investigações pedagógicas. Se especializou em Psicopedagogia, ampliada posteriormente com os estudos da Pedagogia Waldorf.
É Doula e hoje, aos 69 anos, se identifica como Avó-Educadora. Desde 2015, coordena o Espaço DYUNA-ROSA, Casa do Brincar, Sonhar e Saber, em Botucatu/SP. Naquele ano, teve o seu projeto reconhecido pelo MEC como “Plano de Ação Consistente no Caminho da Inovação e Criatividade na Educação Básica”. O livre brincar para saber criar é o foco desse trabalho que projeta como teto a Educação para Autonomia (P. Freire) e a Cultura de Paz.  Alcinda Maria Uruitá gosta de registrar seus estudos e observações de forma poética, sendo o mais relevante deles,”Mais Rima, Menos Prosa”, o qual teve sua resenha publicada nos anais da USP em 2003.

daniel ferraz

Daniel Ferraz Chiozzini, professor do Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: História, Política, Sociedade da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (EHPS/PUC-SP). Investiga principalmente nos seguintes temas: História e Memória da Educação Brasileira, Educação e Ditadura Militar, Ensino Secundário, Escolas Experimentais e Ginásios Vocacionais. Integra a Linha de Pesquisa Educação Brasileira: produção, circulação e apropriação cultural e é um dos líderes do Grupo de Pesquisa História das Instituições e dos Intelectuais da Educação no Brasil.

anaelisa

Ana Elisa Siqueira é Pedagoga, formada pela PUC São Paulo. Trabalha há 30 anos no Ensino Municipal, foi professora, coordenadora pedagógica e há 23 anos é diretora da EMEF Desembargador Amorim Lima.

danisplaper

Denis Plapler é sociólogo, Mestre em Filosofia da Educação pela FE-USP, onde realiza também sua pesquisa de Doutorado. Há vinte anos atua como professor/ educador e neste período foi também Coordenador Pedagógico de duas escolas, ambas reconhecidas pelo MEC como Inovadoras e Criativas e pela rede internacional da Ashoka/ Alana, como Escolas Transformadoras. Foi ainda consultor da UNESCO para o MEC, para o programa de Inovação e Criatividade na Educação Básica do país e trabalhou como assessor pedagógico para organizações como Instituto Alana e Transparência Brasil. Co-criador da Rede Nacional de Educação Democrática, criador de iniciativas como portaldoeducador.org e  desmedicalizacao.org.

Quando

Mesa 1
17/08, sábado, às 10h

Mesa 2
21/09, sábado, às 10h

Mesa 3
28/11, quinta, 19h30

Público

Geral

Turma

vagas limitadas

Investimento

 R$ 30,00 por mesa
(aberta venda para Mesa 2)

Outros cursos d'A Casa

[05/09] MATERIALIDADE É LEITURA? com Camila Feltre e Cristiane Rogerio

[10/09] “Experiências de escuta em comum” com Helena Freire Weffort

[25/10] Infâncias: Raízes multiculturais infantis: histórias, memórias e a importância das biografias

[27/09] Infâncias: entrelaces entre mitologia, filosofia e espiritualidade

[09/09] Conto Tradicional: Viagem de Retorno ao País da Infância com Marco Haurélio – II módulo

Processos de Criação e Bordaduras com Eliane Tavelli

[02/09] CRIANDO NARRATIVAS VISUAIS: imersão Com ALINE ABREU

[30/08] À escrita: experimentos em ateliê e acompanhamento de projetos com Ângela Castelo Branco

[31/08] Sábado em Casa: Histórias à volta d’A Casa

[10/09] Gestos de Escrita

[02/08] Lançamento livro : Imagino Veneza de Julia Panadés

[03/08] Bordar é um verbo destinatário

[04/08] Se os Tubarões Fossem Homens: conversa sobre Brecht, relações de poder e livro ilustrado

[22/07] Sessão de Narração de Histórias com Mirta Portillo

[18/07] Comemoração quatro anos d’A Casa Tombada!

[06/08] Quadros sonoros – criação musical a partir da imagem, com Tarita de Souza

[13/08] Ateliê de voz: espaço para escutar, respirar e encontrar a voz própria, com Renata Gelamo

[13/07] Encontro de Mulheres Indígenas

[19/07] Documentário “ECO – Cantos da Terra”

[15/07] A paixão pela palavra – Narrar, escrever e ler para pertencer ao mundo com Kiara Terra

[30/07] Oficina de Asalato, com Daniela Alarcon e Mauro Tanaka

[27/07] Bordado em Livro Sanfona com Priscilla Ballarin

[24/07] Materialidade e Leitura com Camila Feltre e Cristiane Rogerio

[26/07] Lançamento da 3ª Edição da Revista Linguará – C

[22/07] Oficina de Criação de Livro Ilustrado – Palavra e Imagem, Com Odilon Moraes e Carolina Moreyra

[11/09]Tramas e Fios com Ana Luísa Lacombe e Eliane Tavelli

[21/07] Palco aberto “Objetos na Performance Narrativa”

[21/07] Dom Quixote, o cavaleiro sonhador

[11/09] Tramas e Fios com Ana Luísa Lacombe e Eliane Tavelli

[15/07] As Chaves Para Contar Histórias com Ana Luísa Lacombe

[06/07] Workshop de ilustração em escultura de papel

[28/06] Show “Mensagem” de Heloisa Bonfanti

[12/09] Resolução de conflitos_Assembleias Dramatizadas e Formação de Grupo

[27/07] A arte de contar histórias na vida de todo dia

[04/06] Ateliê de Voz: espaço para escutar, respirar e encontrar a voz própria

[06/06] O papel da dimensão estética na Educação

[28/05] Vivência Circular: Potência, Poder e Punição

[05/05] Lançamento do livro “O Grande Pato”

[26/04] Uma conversa sobre poesia e pós-poesia com Carlito Azevedo

[29/04] O Objeto Livro: História e Contemporaneidade

[26/04] Sessão Cinema: “Impressão Minha”, documentário sobre publicações independentes com debate

[08/05] A paixão pela palavra – Narrar, escrever e ler para pertencer ao mundo com Kiara Terra

[20/07] II Ciclo “Objetos na Performance Narrativa”

Conto Tradicional: Viagem de Retorno ao País da Infância

[07/05] Cantar a Voz com Nani Barbosa e Renata Gelamo

[06/05] Histórias de Boca: Contos Tradicionais na Educação Infantil

Processos de Criação e Bordaduras

[05/09] Edição de livros – caminhos possíveis com Helô Beraldo

GRUPO DE ESTUDOS FILOSÓFICOS com Luiza Christov

Encontros com o Povo Verdadeiro com Angela Pappiani

Para narrar com imagens é preciso saber desenhar? Com Aline Abreu

Histórias e Culturas Afro-brasileiras e Indígenas na Educação – 2º sem/2019

Narração Artística: Caminhos para contar histórias em contexto urbano – 2ºsem/2019

O livro para a infância: processos de criação, circulação e mediação contemporâneos

Caminhada como método para a arte e educação

A vez e a voz das crianças: escutas antropológicas e poéticas das infâncias