Educadoresnarradores, por Giuliano Tierno
Por Giuliano Tierno de Siqueira
Conheci a Aline Cantia num jogo de lego.
Lego é um verbo latim que nos ajuda a pensar a etimologia da palavra ler. Fui lido e li a partir da leitura de Aline. 
Explico: Havia defendido minha tese de doutorado O Narrador. Considerações sobre o contador de histórias nas cidades em maio do ano de 2016 e eis que um dia, não muito distante, recebo uma correspondência, dessas contemporâneas, com a foto da minha tese impressa em meio a uma pilha de livros.
Era a pesquisadora e narradora de histórias Aline Cantia.
Um sorriso amoroso, inteligente, honesto e dedicado a essa arte a qual me debruço há tanto tempo, dizendo-me: “converso contigo há algum tempo em meio à conclusão de meu doutoramento”.
Nossos trabalhamos se constituíram e produziram uma aliança.
Uma aliança que me levou até Belo Horizonte no ano de 2018, ao Cadeia, encontro que se dedica a pensar e praticar o que nós vimos chamando, desde esse encontro, de Narração Artística.
Elo e alimento. Interlocução e militância pela arte da palavra que considera as complexidades da vida contemporânea.
A tese de Aline é um convite a dimensionar a figura do contador de histórias em nossos dias, amparada sempre pela profundidade das tradições e seus saberes.
Algumas das palavras da própria Alline, misturadas com algumas minhas:
Uma pesquisa que busca pensar o encontro entre o educar e o narrar.
Mostrar o retrato do educadornarrador que se constitui pela palavra e pela escuta.
Experiência, educação popular, cultura popular, palavra e cotidiano  inspiram a pensar o universo do narrador tradicional e contemporâneo, os possíveis modos como ele aprende sua arte em seu contexto cultural, assim como a problematizar o tônus da sabedoria herdada da figura idealizada do narrador.
Narrar como um ato de conhecimento.
Narrar experiências cria um ciclo de aprendizagens: aprende quem escuta, quem narra, quem escreve, quem lê.
Uma tese urdida em diálogo com pensadores como Carlos Rodrigues Brandão, Hampatê Bá, Jorge Larrosa, Walter Benjamin, Paul Zumthor, educadoresnarradores como Sebastião Farinhada, Boniface Ofogo e Silas da Fonseca, professores e outros educadoresnarradores brasileiros.
Um convite para transitar de maneira reflexiva pela história da Educação Popular no Brasil e na América Latina a partir da Cultura Popular; pelos ritmos, lentidões e pausas da Palavra; pelas conversas fecundas entre a educadoranarradorapesquisadora e seus intercessores; pelo fenômeno da narração oral na atualidade e seus espaçostempos na prática docente. Uma tese que pede licença para acordar e ser acordada pela amorosidade e força da palavra.
Agradecido que sou pela aliança e que possamos com a difusão de nossas aragens, plantios e colheitas ampliar a malha humana que afirma a vida viva atravessada pela beleza da produção de conhecimento.

Outras Palavras

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[28/10] A potência da argila na vivência infantil – com Débora Amaral

[23/10] “Eu me lembro”: escrita de memórias em fragmentos – com Tatiana Barbosa Cavalari

[21/10] Maria Gabriela Llansol: fragmentos de um Cor’p’oema – com Janaina de Paula

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[20/10] Abrir-se para a escuta: de si e do mundo – com Adriana Friedmann

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[06/10] Introdução à técnica do Papercutting/Kiriê – com Ariádine (2ª turma)

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[30/09] Onde vive o movimento nas narrativas? A potência de conviver com as imagens e manter o movimento – com Melissa Migliori

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[01/09] Livro de Artista e suas extensões gramaticais – curso de extensão universitária, coordenação de Edith Derdyk

[12/08] Encontros com o Povo Verdadeiro – Angela Pappiani