por Damiane Niomara Bemvindo
A expressão das mãos, dos pés, do corpo é muito intrigante. Existe algo novo e antigo em quem usa o corpo na antiga arte da capoeira. A tradição se mistura com o novo todos os dias.
Na roda uma armada pode terminar de diversas formas, quem decide como ela terminará pode ser o corpo, o momento ou o outro.
Pastinha disse que capoeira é tudo o que a boca come. Para mim essa frase simboliza que capoeira é tudo o que o corpo toca e tudo que toca o corpo.
Nos momentos de treino, naqueles em que a música enche o lugar (academia e corpo) inicia a ligação entre os diversos elos presentes no espaço.
A música me toma, o som vira corpo e movimento. Uma Armada, Meia lua, Aú e a magia acontece. Olhos fixos para sentir a presença do momento, não existe a preocupação do que há de vir, somente aquele instante.
Então, continua o poema, “o passado encontra consistência, o futuro preexistência, e o instante é eternidade”.
Pierre Hadot
Continuo pensando na beleza do momento, do corpo, do movimento e desses outros que me tocam constantemente.
Iê, viva meu Deus.
Iê, viva a capoeira.

AQUELE QUE JOGA
O outro sempre existe
Na saudação inicial
Nos olhos que se cruzam enquanto a música toca
Nos corpos que se movimentam
Há uma conversa
O outro sempre existe
Ele existe na pergunta e na resposta
No elo que é criado
Na agilidade do movimento
Na continuidade, na tradição
O outro sempre existe
A música, as vozes, as palmas, os instrumentos também existem
Mas quem te penetra a alma é o outro
Quem te invade é o outro
O outro sempre existe
Haveria algo tão belo se o outro não existisse?
A saudação final inicia e outro ainda está presente

OS ENCANTADORES
Subiram seis para encantar o momento
E com seus instrumentos se misturaram em um único som
A música era antiga, cantada pelos pais, avós e os que antes deles vieram
Os encantadores entraram no êxtase da canção
Ela encheu os ouvidos, os olhos, as mãos
E quando um grito chamou o fim da canção
O silêncio surgiu
Desceram os seis, deixaram os instrumentos
E o que permaneceu foi a canção

Damiane Niomara Bemvindo é professora em São José dos Campos. É apaixonada pela música, dança e capoeira. Nos últimos tempos decidiu transferir suas paixões para o papel utilizando as palavras.



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