Casa Aberta: registros poéticos do curso Uma Mala Corpo Casa para Viajar

Mostra de registros poéticos de viagem – alunas do curso Uma Mala Corpo Casa para Viajar, com Jullipop / out-2020

 

Uma Mala Corpo Casa para Viajar foi um percurso feito em outubro/novembro de 2020. Foram quatro encontros físicos, ou quase, com presenças ausentes, ausências presentes, presenças quânticas, ausências quânticas, para balançar sensações e conceitos que envolvessem o que pudéssemos chamar de “estado de ateliê”. Pensar e experimentar isso, observar testar, testar, testar para descobrir algo, como diz a etmologia da palavra STUDERE que originou o que hoje é chamado de ateliê. Ateliê dentro e fora da educação, ateliê de artistas, relações e contradições, possibilidades de ampliação de olhar e repertório. Individual e coletivo. Diferentes tempos, de chegar, de estar e de sair. Uma verdadeira habitação de casas corpos. Corpos receptores, corpos doadores, corpos movimentos, corpos casas. Cada um em seu tempo, dentro da viagem, sendo peregrino ou transporte (referência a Tim Ingold) registrou algo que aqui escolhemos partilhar com vocês, como um álbum de viagem com registros poéticos.

Este chamamos de CASA ABERTA, então, venha… pode entrar!

 

“Se todo final já foi um começo, se todo parágrafo inicial guarda seu ponto final então, nossa casa aberta, no seu estar aberta, guarda em si a chave mágica que fecha. Fecha fora, abre dentro para que olhos se tornem mágicos…
Penso que é meio assim…”

Meylí Moraes de Oliveira Lima

 

 

Narrativas poéticas de viagem

Nosso terceiro encontro aconteceu no setor das malas, um pouco antes do desembarque. Para a viagem da noite, girando na esteira de nossas janelas do zoom mala sacola, mala cartões-postais, mala mesa, mala palavras, mala casa, mala silêncio e observação. 

No dicionário, mala é um saco de couro ou de pano, espécie de caixa de madeira, lona, plástico etc. destinada, em geral, ao transporte de roupas de viagem. Transcorrido três encontros, mala talvez seja espécie de estrutura formada de pele, ossos, sangue, ar e alma destinada, em algumas circunstâncias, ao transporte de materiais variados para viagens que permitam processos criativos. Sempre passível de ser habitada, capaz de proteger e instigar. 

Nossas malas apresentaram vocação para contadoras de histórias. Reparei nisso porque o desfile dos materiais foi acompanhado de narrativas de si e perguntas ao outro. Somou-se ao concreto de cada material um pouco de vida, perfumes e aromas passados que se atualizavam. Às vezes promessas, desejos de novidade. 

Estaria aí, neste espaço da narrativa, o passaporte para o estado de ateliê? Faria sentido colocar na mala materiais que não falassem com seu dono? Seria o mesmo que, sendo manequim 46 eu levasse na minha viagem roupas do manequim 40. No mínimo estranho. Fico imaginando que se o fizesse não poderia sair do quarto do hotel e nada faria… 

Releio uma anotação feita a partir dos trechos de Tin Ingold, “Para o peregrino o mundo não é apresentado como uma superfície a ser atravessada. (…) seus movimentos costuram caminhos.” Acredito que habitar uma mala corpo casa seja vocação de peregrino. 

Será?


Mey Moraes


 

O varal cheio de roupas?
Olhe bem, será?
São peças/objetos tão significativos para nossa casa, para o nosso corpo!! 
Os brancos são presentes em meu percurso, estar de branco me vincula a ancestralidade. Minha mãe diz: toma um banho, coloca uma roupa branca, reza e vai dormir, você vai mellhorar!!
Brancos ganham sentidos, contextos e a profundidade de uma imersão que comecei a viver

Adriana Soares


 

“O branco/luz põe luz em muitas questões e em diversas situações, clareia a fala das crianças para nós, colocando luz nos nossos objetivos e propostas.
Às vezes colocamos o nosso olhar sobre a estética de como as crianças criam e descobrem o mundo, filtrando todo o imaginário, a emoção e o estado criativo que elas se encontram. A criança tem o seu próprio universo, com a sensibilidade de desvendar o que para nós está muitas vezes no escuro.”

Gabriela Ferreira


 

“Sou ruim de escolher.
O fogo foi para produzir material para a experiência – ideia são cinzas. Em si, já foi uma experiência.
O documentário “El Boton de Nácar” foi ignição e combustível.
E a mariposa tem a ver com uma das imagens disparadoras do seu curso/ da caminhada. E me fez lembrar do filme “A língua das mariposas”. E tem os brancos. Enfim, tudo me evoca às mobilizações daqueles seus encontros. Ai, não sei se faz sentido para quem não compartilhou daquela ambiência – arquivos, ideias, experiências…”

Cláudia Calixto


 

Ainda me permitindo e reverberando sobre meu corpo ímã… deparo-me com um objeto, este aliás de cor branca, penso que foi sua “clareza” que me chamou a atenção, meu corpo em movimento próprio estagnou, meus olhos em concomitância com meu Ser interior, ligeiros e afoitos percebem as tramas que compõem a matéria… E torna-se impossível não render-me à imantação, paro com toda correria desenfreada da Selva de Pedras e me rendo ao meu corpo ateliê, fotografo e por trás de mim me surpreendo, há registros de corpos, corpos estes também em estados de ateliês, peregrinos em suas tecituras de linguagens.

Bianca Franchi

 

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