-
OLHOS DE JABUTICABA: Corpos negros em espaços brancos
- Voltar
Documento
Metadados
Miniatura
Título
OLHOS DE JABUTICABA: Corpos negros em espaços brancos
Autor
Mikaela Pereira Lima de Sepulvida
Descrição
Esta pesquisa é o trabalho de conclusão de curso apresentado ao programa de pós-
graduação em Educação e Relações Étnico-raciais: Investigações de
Cosmopercepções Amefricanas da A ́Casa Tombada. O objetivo do trabalho é
analisar narrativas de mulheres negras educadoras, problematizando os
enfrentamentos encontrados para atuarem em espaços educacionais brancos. Assim,
a questão central da investigação é: quais os enfrentamentos educadoras negras
encontram para atuarem em escolas brancas? Para delinear o objetivo da pesquisa,
realizamos um trabalho de campo qualitativo, utilizando entrevistas semiestruturadas,
com cinco educadoras de escolas dos bairros mais ricos de São Paulo, que atuaram
nessas instituições entre os anos de 1994 e 2024. Para a análise das narrativas de
vida, foram criadas categorias com temas convergentes e comuns a todas. As falas
dessas mulheres são tensionadas a partir dos referenciais teóricos que abordam
temas como: mulheres negras, interseccionalidade, educação e racismo. A partir dos
relatos de vida, foi possível constatar a manutenção das relações de poder e
hierarquia da branquitude nesses espaços, o que impacta negativamente a vida das
participantes desta pesquisa. O título Olhos de Jabuticaba: corpos negros em espaços
brancos surge a partir da narrativa de vida de Tânia, uma das entrevistadas, que nos
conta sobre a importância do olhar atento para corpos negros – principalmente de
crianças negras –, os quais, muitas vezes, são invisibilizados. Embasamo-nos
teoricamente em autoras como: hooks (2019), Anzaldúa (2000), Gonzalez (1984),
Akotirene (2019), Ribeiro (2018), Cavalleiro (2012), Pinheiro (2023), Lorde (2019) e
tantas outras e outros. Assim, a busca por respostas para as indagações levantadas
nesta pesquisa nos mostrou que a escuta, o protagonismo das vozes e os encontros
entre mulheres negras são caminhos possíveis de fortalecimento das nossas
narrativas e de ações para o enfrentamento das relações de poder nos espaços
educacionais.
Assunto
Escolas de elite | Mulheres negras | Narrativas de vida | Resistência | São Paulo
Data
2024
Idioma
Bibliografia
FONTES ORAIS
Érica Teixeira – entrevista realizada dia 26 de abril de 2024.
Gabriela Viegas de Arruda Campos – entrevista realizada dia 24 de abril de 2024.
Juliana de Paula Costa – entrevista realizada dia 17 de maio de 2024.
Tânia Regina da Cruz dos Santos – entrevista realizada dia 16 de maio de 2024.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A Covid-19 e as desigualdades: o que os dados nos contam após um ano de
pandemia. Rede Nossa São Paulo. Disponível em: . Acesso em: 31 ago. 2024.
AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Sueli Carneiro; Pólen, 2019.
ANZALDUA, Glória. Falando em línguas: Uma carta para as mulheres escritoras do
terceiro mundo. Revista Estudos Feministas, v. 8, n. 1, p. 229-236, 2000.
BARROS, Surya Aaronovich Pombo de. Discutindo a escolarização da população
negra em São Paulo entre o final do Século XIX e início do XX. Coleção educação
para todos: História da Educação do Negro e outras histórias, p. 79-92, 2005.
BENTO, Cida. O pacto da branquitude. Companhia das Letras, São Paulo, 2022.
BERTAUX, Daniel. Narrativas de vida: a pesquisa e seus métodos / Tradução:
Zuleide Alves Cardoso Cavalcante, Denise Maria Gurgel Lavallée/ Revisão científica:
68
Maria da Conceição Passegi, Márcio Venício Barbosa - Natal, RN: EDUFRN; São
Paulo: Paulus, 2010.
CARONE, Iray & BENTO, Maria Aparecida Silva. Psicologia social do racismo:
estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil. Petrópolis, RJ: Vozes,
2016.
CARVALHO, Sandro Sacchet de. Retrato dos rendimentos do trabalho –
resultados da PNAD Contínua do primeiro trimestre de 2024. Carta de
Conjuntura. Disponível em: .
Acesso em: 16 jun. 2024.
CAVALLEIRO, Eliane dos Santos. Do silêncio do lar ao silêncio escolar: racismo,
preconceito e discriminação na educação infantil. 6. ed. São Paulo: Contexto,
2012.
CRENSHAW, Kimberlé. Documento para o encontro de especialistas em aspectos
da discriminação racial relativos ao gênero. Revista Estudos Feministas, v. 10, n.
1, p. 171-188, 2002.
EDUARDO. Mulheres negras / Intérprete: Yzalú. In: Projeto Divas do Hip Hop. São
Paulo: Estúdio Showlivre, 2016.
EVARISTO, Conceição. Gênero e etnia: uma escre(vivência) de dupla face. In:
Mulheres no mundo: etnia, marginalidade, diáspora. / MOREIRA, Nadilza M. de
Barros; SCHNEIDER, Liane (Orgs.) -- 2 ed. v. 5, p. 218-225. João Pessoa: Editora do
CCTA, 2020.
69
EVARISTO, Conceição. Escrevivência: a escrita de nós – Reflexões sobre a obra
de Conceição Evaristo. / DUARTE, Constância Lima; NUNES, Isabella Rosado
(Orgs.). 1 ed. Rio de Janeiro: Mina comunicação e arte, 2020.
FERREIRA, Ananda da Luz. A importância do protagonismo negro na literatura
infantil. QUINDIM. Disponível em: . Acesso em: 20 jun. 2024.
FERES JÚNIOR, João; CAMPOS, Luiz Augusto; DAFLON, Veronica Toste;
VENTURINI, Anna. Ação Afirmativa: História, Conceito e Debates. Rio de
Janeiro: EdUERJ, 2018.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro latino americano: ensaios,
intervenções e diálogos / RIOS, Flavia; LIMA, Márcia (Orgs.) -- 1. ed. Rio de
Janeiro: Zahar, 2020.
GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Revista Ciências
Sociais Hoje, Anpocs, p. 223-244, 1984.
HOOKS, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática de liberdade.
Tradução: Marcelo Brandão Cipolla. 2. ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes,
2017.
HOOKS, bell. Erguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra.
Tradução: Cátia Bocaiuva Maringolo. São Paulo: Elefante, 2019.
KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano.
Tradução: Jess Oliveira. Rio de Janeiro: Cobogá, 2019.
LORDE, Audre. A unicórnia preta. Tradução: Stephanie Borges. Belo Horizonte:
Relicário, 2020.
70
LORDE, Audre. Irmã outisider. Tradução: Sthepanie Borges. Belo Horizonte:
Autêntica Editora, 2019.
Mapa da desigualdade 2022. Rede Nossa São Paulo. Disponível em: Acesso em: 31 ago. 2024.
MIDRIA. Cartas de amor para mulheres negras. São Paulo: Jandaíra, 2022.
MOREIRA, Adilson. Racismo recreativo. São Paulo: Sueli Carneiro; Pólen, 2019.
MOSER, Benjamin. Clarice. São Paulo, Ed. Cosacnaify, 2011.
NASCIMENTO, Abdias. O Genocídio no negro brasileiro: Processos de um
Racismo Mascarado. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra S/A, 1978.
NEIRA, Marcos Garcia. Cruzando fronteiras: o currículo multicultural e o trabalho
com as diferenças em sala de aula. Lantuna: Revista Cabo-verdiana de
Educação, Filosofia e Letras, Santiago, v. 1, n. 1, p. 119-136, jan.-jun. 2014.
NERY, Carmen. Censo 2022: Taxa de analfabetismo cai de 9,6% para 7,0% em
12 anos, mas desigualdades persistem. IBGE. Disponível em: . Acesso em: 23 jun. 2024.
NOGUEIRA, Oracy. Preconceito racial de marca e preconceito racial de origem:
Sugestão de um quadro de referência para a interpretação do material sobre
relações raciais no Brasil. Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 19, n. 1,
p. 287-308, 2006.
71
PEREIRA, Jessica Silva. Mulheres Negras, Memória e Subjetividades: “o que no
corpo e na voz se repete é também episteme”. Veredas Feministas: reflexões,
potencialidades e transformações de pensadoras contemporâneas. Revista Tempo,
Espaço e Linguagem, v. 15, n. 1, p. 46-67, 2024.
Percepções sobre o racismo no Brasil – IPEC. Disponível em: . Acesso em: 18 ago. 2024.
PINHEIRO, Bárbara Carine Soares. Como ser um educador antirracista: para
famílias e professores [livro eletrônico]. São Paulo: Planeta do Brasil, 2023.
RIBEIRO, Djamila. Quem tem medo do feminismo negro?. São Paulo: Companhia
das Letras, 2018.
RIBEIRO, Djamila. Pequeno manual antirracista. São Paulo: Companhia das
Letras, 2019.
SANTANA, Patrícia. Professoras negras: Trajetórias e Travessias. 2. ed. Belo
Horizonte: Mazza Edições, 2011.
SANTOS, Antônio Bispo dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu
Editora/PISEAGRAMA, 2023.
SETÚBAL, José Luiz. Sendo criança negra no Brasil. Instituto PENSI – Estudos
Clínicos em Pediatria e Saúde Infantil. Disponível em: . Acesso em: 18
jun. 2024.
SOUTO, Stéfane. Aquilombar-se: Insurgências negras na gestão cultural
contemporânea. Revista Metamorfose, v. 4, n. 4, p. 133-144, 2020.
72
SOUZA, Eleandra Aparecida Machado de; PRAZERES, Lílian Lima Gonçalves dos.
Epistemologias do Extremo Sul [recurso eletrônico] / Ananda da Luz Ferreira et al.
(Orgs.) - Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2021.
WERNECK, Jurema. Racismo institucional e a saúde da população negra. Saúde
Sociedade, São Paulo, v. 25, n. 3, p. 535-549, 2016.
XAVIER, Giovana. Você pode substituir mulheres negras como objeto de
estudo por mulheres negras contando sua própria história. Rio de Janeiro:
Malê, 2019.
LEIS
BRASIL, Lei N° 10.639, de janeiro de 2003. Presidência da República: Casa Civil.
Brasília: janeiro/2003.
BRASIL, Lei N° 11.645, de março de 2008. Presidência da República: Casa Civil.
Brasília: março/2008.
