Inicio a introdução deste resumo a partir do final deste acontecimento de escrita. O final não é o fim, apenas a ponta mais recente. Esta escrita é a continuidade de uma superfície, de uma respiração, de uma legião de órgãos, cantos, tecidos, peles. O corpo estremece coberto por essa tapeçaria de memórias, percepção, grande órgão dos sentidos, que comunica o dentro e fora respirando nos poros. A partir desta trama criam-se outras, mais densas ou mais voláteis, mas todas onde se pode acolher uma escrita. Uma escrita só nasce poque existe uma superfície que pode acolhê-la. Porém, a primeira precisa passar pela pele do próprio corpo, esta que reveste a carne viva, e marcá-la como uma tatuagem, para só depois, sair bailando e cantando pelas outras peles do mundo, sorridente mesmo no pranto, no parto, por se fazer existir e tatear as intimidades de outras membranas. Abre-se uma roseira.
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