Investigações sobre o brincar interrompido. Observação e escuta de crianças pequenas e seu brincar.
Autor
OLIVEIRA, Laizane Cristina Santos de
Colaborador
A Casa Tombada
Descrição
Esta pesquisa tem por objetivo se aproximar das reações e expressões das crianças pequenas quando o brincar é interrompido, o que acredito ser possível somente mediante observação direta das crianças e seu brincar, para isso recorro à uma abordagem antropológica. Frente à necessidade do brincar livre, autônomo (como chama Renata Meirelles) ou apenas brincar e, tendo em vista que o impulso do brincar não se inclina às estruturas lineares e cronológicas da organização das rotinas que acabam por definir os tempos destinados a esse fenômeno no dia a dia de muitas escolas - à princípio de Educação na Infantil, seguindo para o Ensino Fundamental - me debrucei sobre os sinais das crianças nos seus tempos de brincar; e sobre a ideia de que pensar em medir o tempo do brincar seria o mesmo que tentar aprisionar o tempo, pois parar um relógio não cessa o correr das horas; tentar ainda, usar esse mesmo relógio para estruturar o brincar não é possível, pois a organização externa pautada na ação ou nas ações não configura a totalidade desse fenômeno, desse impulso que habita as crianças e, quem sabe uma forma de habitar o mundo. Nesse sentido, cada interrupção suspende processos, construções, comunicações, relações, movimentos de vida de cada bebê e crianças naquele momento. O que nos leva a refletir: quem melhor do que as próprias crianças para nos revelarem o que acontece quando o brincar é interrompido? Talvez juntos possamos repensar e reorganizar os tempos a partir desses sinais.
BARBOSA, M. C. Tempo e cotidiano – tempos para viver a infância. Leitura: Teoria &
Prática, Campinas, v.31, n.61, p.213-222, nov. 2013.
CHRISTOV, LHS. Sobre o texto acadêmico: pensando em fluxo uma tentativa de
indefinição. Elaborado para a aula junto aos doutorandos do Programa de Pós
Graduação em Artes/Unesp, 2016.
CUNHA, A. C.; KUHN, R. No tempo das crianças...no tempo da imaginação. Atas do
II Seminário Luso-Brasileiro de educação de infância: “investigação, formação
docente e cultura da infância”. 2016.
ECKSCHIMIDT, S. Ndiphilile: eu estou viva! São Paulo: Eco livros, 2015.
FALK, j. Educar os três primeiros anos: a experiência de Lóczy: 2.ed.
Junqueira&Marin, Araraquara. SP, 2011.
FRIEDMANN, A. A vez e a voz das crianças: Escutas antropológicas e poéticas das
infâncias. São Paulo: Panda, 2020.
FRIEDMANN, A. “Brincar livre e saudável para as crianças de hoje,” Plataforma de
Pesquisas - A Casa Tombada, acesso em 18 de maio de
2020, http://plataformapesquisas.acasatombada.com.br/omeka/items/show/1350.
FRIEDMANN, A. Linguagens e culturas infantis. São Paulo: Cortez, 2013.
FRIEDMANN, A. O olhar antropológico por dentro da infância. In: ______;
MEIRELLES, Renata (org.), “Território do brincar diálogo com escolas.,” Plataforma
de Pesquisas - A Casa Tombada, acesso em 18 de maio de
2020, http://plataformapesquisas.acasatombada.com.br/omeka/items/show/1353.
KÁLLÓ, É.; BALOG, G. As origens do brincar livre. São Paulo: omnisciência, 2017.
KRAMER, S. Autoria e autorização: questões éticas na pesquisa com crianças. Rio
de Janeiro. Caderno de pesquisas, no 116, junho/2002.
Barros, M. de. Menino do Mato. São Paulo: Leya, 2010.
SAYÃO, D. T. Crianças: Substantivo Plural. Palestra proferida no II Seminário
Educação Infantil em Debate, organizado pelo Núcleo de Estudo e Pesquisa em
Educação Infantil da Fundação Universidade federal. Rio Grande/RS. 2000. O texto
completo nos Anais do evento.