O rabisco. O início da descoberta, do contato, da aprendizagem, da
experimentação.
O rabisco. O meio, a pressa, conversa, estranhamento, julgamento.
O rabisco. Registro, memória, arte, gesto.
O fim. O processo, o ilegível, a expressão, o comunicar-se comigo, com o
outro, o modo de estar no mundo.
A escrita. Rabisco como expressão artística. Confirmação da escrita.
Este texto é um elogio ao rabisco. Recolhi linhas, desenhos e palavras
impregnados por gestos “mal acabados” que nasceram durante as
anotações de aulas da pós-graduação Gestos de escrita como prática de
risco e olhei-os com olhos de estranhamento e novidade. Notas de aulas que
comumente estão a serviço da memória e/ou fazem referência a um
passado próximo, aqui adquirem uma função outra, suspendem o
entendimento de quem as produziu e lança outros sentidos, repletos de
espaços em branco, incomunicabilidades, silêncios com frases curtas e
condensadas. Rabiscos abrem caminho à arte, ao poema.
Todas as recolhas foram ditas por coordenadores e professores da pós-
graduação, que também citaram textos, pessoas e saberes que gentilmente
trocaram com os alunos.
Cada um tem o seu repertório, que entrelaçou com o repertório do outro,
que do outro, costurou com mais um outro e que possibilitaram diversas
referências.
Escolhi não “aprofundar e procurar” referências que estavam fora das aulas.
Tive receio de me assustar/equivocar, não conseguir expressar exatamente
o que eu gostaria. Desta forma, as citações que coloco neste texto, são
exclusivamente ditas em aula, E o que eu escolhi entender.
Como se trata de um começo que é um processo, quem sabe no próximo
texto consiga me imbuir de referências e consiga citá-las da forma que
merecem.