À volta d'A Casa - Proac Território.das Artes

Introdução

Há três anos habitando entre os bairros de Perdizes, Barra Funda e Água Branca, A Casa Tombada [Lugar de Arte, Cultura e Educação], vem desenvolvendo ações poéticas, de formação e conversas em torno da produção cultural, visando a construção de narrativas singulares. A Casa vem se sustentando por meio de formas alternativas, buscando caminhos de participação efetiva daqueles que a frequentam. Recebemos pessoas de várias localidades, contudo, percebemos que falta a atuação em nosso entorno, conhecendo as narrativas dos moradores, transeuntes e comerciantes, ou seja, um espaço simbólico de produção cultural aberto à comunidade e que se alimenta das experiências. Esse projeto, À volta d’A Casa, tem um caráter de pesquisa e intervenção no meio exterior e interior. Para atingirmos esse objetivo, 5 (cinco) artistas residentes (que já atuam n’A Casa) cumprirão quatro ações: Ação 1: Residência Artística com imersão no entorno proposta pelo Instituto Abrapalavra, de Belo Horizonte, que possui atuação na implementação de Pontos de Memória e fortalecimento de territórios culturais. Ação 2: Partilha de experiências por meio de oficinas gratuitas em torno da narração oral e da escrita. Ação 3: A Pequena Loja de Contos, ocupação poética da garagem do imóvel (escuta e partilha de histórias) que está diretamente ligada à rua e que necessita de pequenos reparos. Ação 4: Sábado em Casa: Sessão de Narração de Histórias (gratuita) na qual o público será convidado a ouvir histórias de moradores do bairro, transeuntes e comerciantes. As histórias serão materializadas em textos, imagens, áudios e disponibilizados em um blog.

Ações d'A Casa

Sobre as ações que A Casa já realizou e que abriram caminho para a contemplação nesse edital público

Histórico de realizações no espaço Localizada no bairro da Água Branca, o espaço cultural inaugurado em 18 de julho de 2015, pelos artistas e pesquisadores Ângela Castelo Branco e Giuliano Tierno de Siqueira, A CASA TOMBADA-Lugar de Arte, Cultura e Educação abriga debaixo de um mesmo teto salas para formação de iniciação e aprimoramento artístico, ateliês, biblioteca, café, espaço para convívio, exposições e conversas em diferentes formatos. A Casa tem sido reconhecida pelo trabalho de excelência desenvolvido ao longo dos últimos anos nas áreas de literatura, oralidade e escritura, subsidiada exclusivamente pelos pagamentos daqueles que desejam se aproximar e usufruir de sua programação. Até o momento não obteve nenhum apoio publico ou privado para as suas atividades. Com caráter (in)disciplinar, busca diminuir as fronteiras entre as linguagens artísticas, o fazer e o pensar. Os cursos e encontros que acontecem na Casa são construídos de forma artesanal e estão voltados para os saberes de experiência dos participantes. A lógica dos cursos e dos encontros não é o da troca, do “serviço”, mas da “graça”, em que se sustenta a crença no acontecimento. 1 Sua forma de existência se dá em companhia da poesia na parede, das galinhas que atravessam a rua do Parque da Água Branca e que botam seus ovos no jardim até a feitura de um pão na hora, para ser servido enquanto respira. Um lugar de convívio estético e ético. Onde os saberes não se escondem, servem para dar. A Casa ancorou-se no trabalho pendular entre a retomada da narração oral em contexto urbano, a escrita e a literatura, por meio de: Cursos livres de curta duração (ateliês de criação e rodas de conversa); Grupos de estudo; Ateliês Literários (leitura, escrita e oralidade); Aulas-Poema (encontros para escrever e falar sobre a escrita); Encontros de formação para educadores e mediadores culturais; Lançamentos de livros e encontros com autores; Assessoria em Arte e Literatura para escolas e instituições culturais; Sessões de Narração Oral. O projeto inicial d’A Casa era abrir um local que fosse destinado a cursos, pesquisa e criação nas áreas de narração oral, escrita e literatura. Porém, com menos de 02 meses de abertura, iniciou-se uma procura e interesse de artistas, editores, produtores culturais, educadores bem como profissionais de outras áreas para a ocupação da Casa com diferentes projetos, e optou-se por acolher cada desejo, cuidando das individualidades e necessidades de cada ideia nova que chegava. Apesar da Casa não possuir especificamente recursos financeiros para investir nos projetos, oferecíamos um capital social, ou seja, de acolhida, de estrutura física e humana. Até hoje A Casa não possui financiadores públicos e privados, o que impõe um desafio cotidiano de partilhar custos com todos os envolvidos nas ações d´A Casa. Houve uma grande procura de autores que gostariam de pensar uma outra forma de realizarem os lançamentos de suas obras (tivemos durante esses dois anos 08 lançamentos de livros, destacando O livro Yorubá: vocabulário temático do Candomblé de Márcio de Jagun, O Poeta e a Foca de Nanete Neves e o lançamento da editora de livros artesanais Treme-Terra). Editoras preocupadas com a formação de leitores, também procuraram A Casa, pois precisavam de um espaço para propor conversas mais aprofundadas (realizamos 2 10 conversas sobre literatura e educação, com a presença de autores e ilustradores com as editoras Pulo do Gato, Jujuba, Nós). A Casa acolheu grupos iniciantes de teatro sem verba para alugar um espaço de ensaio (04 grupos ensaiam no espaço). A Casa abrigou e abriga exposições de trabalhos visuais (04 exposições com duração de 02 meses, destacando o escritor italiano Roberto Parmeggiani, o ilustrador Renato Moriconi, a artista Mariana Galender). Abrigamos grupos de músicos/dançarinos de fora de SP que estavam passando pela cidade e gostariam de um lugar para se apresentar (Tamboreras da Ingoma/Colômbia, Dúo Beilinson-Gacón duo de violões argentinos). Recebemos grupos de teatro que inspiraram suas criações na Casa Tombada, dentre elas o espetáculo infantil Sobre Fósforos e Passarinhos do grupo Travessia e o espetáculo de dança do Núcleo Mirada cuja criação foi dançar 24 horas no espaço e a realização de um documentário dessa experiência chamado Jet Lagged. Apresentaram também grupos amadores como a Cia dos Desconhecidos, com a peça Os Perrengues, provenientes do Projeto Vocacional, Parelheiros-SP. Por não possuirmos mantenedores nem captação de recursos públicos e privados durante esses dois anos, fomos sobrevivendo com contribuições nos eventos com a lógica do “pague quanto acha que vale” e ações voluntárias. Como resultado dos encontros de formação e pesquisa d´A Casa destacamos a publicação do livro Narra-te cidade, coleção de artigos de contadores de histórias e pesquisadores e o Seminário Narra-te cidade (em parceria com o Instituto de Artes da UNESP) com a presença da pesquisadora e contadora de histórias canadense Myrriame El Yamani. Paralelamente, realizamos encontros formais e informais com temáticas necessárias para o mundo contemporâneo como: ética e política, desobediência civil, filosofia feminista, 3 formação do povo brasileiro, como fazer escola hoje, além de realizarmos conversas com estudantes secundaristas, poetas, filósofos, ativistas. Dentre os encontros, cursos e palestras com convidados especiais destacamos: Jorge Larrosa, Lúcia Castelo Branco, Safaa Faati, Casas Brasileiras de Refúgio, Luiza Erundina, Ivone Gebara, Dona Maurinete, Ricardo Azevedo, Eva Furnari, Graça Lima, Michel Yakini, Edith Derdyk e André Neves. Curso com os escritores Ronaldo Bressane, Claudio Fragata, Edson Cruz, Marcelo Ariel, Xavier Bartaburu, oficina de bordado com a artista mexicana Gimena Romero. Como provocação artística para os próprios criadores da Casa, foi criado o Sábado em Casa, sessão de narração oral para adultos, realizado uma vez ao mês com um jantar coletivo, que é frequentado por cerca de 90 participantes por noite. Atualmente temos mais de 19 mil curtidas no facebook e uma intensa procura de artistas e interessados em ocupar a Casa. Pelo volume das ações desenvolvidas pel’A Casa e pela diversidade do público que nela frequenta artistas nacionais e internacionais, entendemos que o edital Território das Artes será um importante parceiro para continuarmos realizando tais ações (tanto com capital financeiro como capital social).

Plano de Trabalho

Os cursos, encontros e atividades artísticas têm recebido pessoas de vários bairros da cidade de São Paulo, de outras cidades, estados e até mesmo outros países, contudo, percebemos que ainda falta verticalizarmos a atuação em nosso entorno, “À Volta d’A Casa”. Esse nome traz uma dupla acepção: olhar e percorrer nosso entorno, conhecendo narrativas dos moradores, transeuntes e comerciantes, ao mesmo tempo em que esse movimento nos ajude a fortalecer A Casa como um espaço simbólico de produção cultural aberto à comunidade, que de alguma forma, nos faça voltar à casa com outras significações. Nesse sentido, o projeto tem um caráter importante de pesquisa e intervenção no meio exterior (entorno) e interior (A Casa). Para atingirmos esse objetivo, 5 (cinco) artistas cumprirão três funções que serão imbricadas e que também terão atuações específicas: criação artística; formação e pesquisa. Duração do projeto: 6 meses.
Ação 1 Pesquisa: Residência Artística e fortalecimento e vínculo com o entorno d’A Casa Descrição: No âmbito da pesquisa os artistas (Ângela Castelo Branco, Giuliano Tierno de Siqueira, Letícia Liesenfeld Erdtmann, Magno Rodrigues Faria e Yohana Ciotti) receberão o intercâmbio, por meio de uma Residência Artística, do Instituto Abrapalavra, com os artistas e produtores culturais Aline Cantia e Chicó do Céu. O Instituto está localizado em Belo Horizonte (MG), e tem vasta experiência (conforme clipping anexo) na implementação de Pontos de Memória e em fortalecimentos de territórios culturais. Período de realização da pesquisa: 1 (uma) semana de imersão dos artistas do Instituto Abrapalavra com os proponentes do projeto. A pesquisa continua durante todo o projeto de maneira transversal às outras ações.
Aguardem que em breve tem mais novidades sobre as ações desse lindo projeto que será concluído em julho de 2019. Aguardem as novidades sobre o projeto! Toda a programação oferecida: cursos, encontros e as sessões do Sábado em Casa serão gratuitas ao público!
Acompanhe nossas postagens!

Outras Palavras

CURSOS d’A CASA

Coordenação Pedagógica: cartografias da diversidade e das singularidades na atuação coordenadora

Saberes populares para a Arte e a Educação nas vivências da Carroça de Mamulengos: O que nós podemos fazer por nós mesmos?

Gestos de Escrita como prática de risco

Narração Artística: Caminhos para contar histórias em contexto urbano

O livro para a infância: processos de criação, circulação e mediação contemporâneos

Caminhada como método para a arte e a educação

[20/09] Lançamento do livro “Vozes da Tradição”

[19/09] ENCONTRO ABERTO: POSSIBILIDADES DA NOVELA GRÁFICA, COM MARÍA LUQUE

[13/09] MAR, MAPA, MEMÓRIA: OFICINA DE POESIA E IMAGEM, COM ROSINHA

[06/09] Apresentação musical – UMA

[03/10] MATERIALIDADE É LEITURA? com Camila Feltre e Cristiane Rogerio

[10/09] “Experiências de escuta em comum” com Helena Freire Weffort

[25/10] Infâncias: Raízes multiculturais infantis: histórias, memórias e a importância das biografias

[27/09] Infâncias: entrelaces entre mitologia, filosofia e espiritualidade

[25/11] Conto Tradicional: Viagem de Retorno ao País da Infância com Marco Haurélio – II módulo

Processos de Criação e Bordaduras com Eliane Tavelli

[02/09] CRIANDO NARRATIVAS VISUAIS: imersão Com ALINE ABREU

À escrita: experimentos em ateliê e acompanhamento de projetos com Ângela Castelo Branco

[21/09] Sábado em Casa: Histórias à volta d’A Casa

[24/09] Gestos de Escrita

[02/08] Lançamento livro : Imagino Veneza de Julia Panadés

[28/11] Seminário: Educação e Democracia

[03/08] Bordar é um verbo destinatário

[04/08] Se os Tubarões Fossem Homens: conversa sobre Brecht, relações de poder e livro ilustrado

[22/07] Sessão de Narração de Histórias com Mirta Portillo

[18/07] Comemoração quatro anos d’A Casa Tombada!

[06/08] Quadros sonoros – criação musical a partir da imagem, com Tarita de Souza

[13/08] Ateliê de voz: espaço para escutar, respirar e encontrar a voz própria, com Renata Gelamo

[13/07] Encontro de Mulheres Indígenas

[19/07] Documentário “ECO – Cantos da Terra”

[15/07] A paixão pela palavra – Narrar, escrever e ler para pertencer ao mundo com Kiara Terra

[30/07] Oficina de Asalato, com Daniela Alarcon e Mauro Tanaka

[27/07] Bordado em Livro Sanfona com Priscilla Ballarin

[24/07] Materialidade e Leitura com Camila Feltre e Cristiane Rogerio

[26/07] Lançamento da 3ª Edição da Revista Linguará – C

[22/07] Oficina de Criação de Livro Ilustrado – Palavra e Imagem, Com Odilon Moraes e Carolina Moreyra

[18/09]Tramas e Fios com Ana Luísa Lacombe e Eliane Tavelli

[21/07] Palco aberto “Objetos na Performance Narrativa”

[21/07] Dom Quixote, o cavaleiro sonhador

[18/09] Tramas e Fios com Ana Luísa Lacombe e Eliane Tavelli

[15/07] As Chaves Para Contar Histórias com Ana Luísa Lacombe

[06/07] Workshop de ilustração em escultura de papel

[28/06] Show “Mensagem” de Heloisa Bonfanti

[12/09] Resolução de conflitos_Assembleias Dramatizadas e Formação de Grupo

[27/07] A arte de contar histórias na vida de todo dia

[04/06] Ateliê de Voz: espaço para escutar, respirar e encontrar a voz própria

[06/06] O papel da dimensão estética na Educação

[28/05] Vivência Circular: Potência, Poder e Punição

[05/05] Lançamento do livro “O Grande Pato”

[26/04] Uma conversa sobre poesia e pós-poesia com Carlito Azevedo

[29/04] O Objeto Livro: História e Contemporaneidade

[26/04] Sessão Cinema: “Impressão Minha”, documentário sobre publicações independentes com debate

[08/05] A paixão pela palavra – Narrar, escrever e ler para pertencer ao mundo com Kiara Terra

[20/07] II Ciclo “Objetos na Performance Narrativa”

Conto Tradicional: Viagem de Retorno ao País da Infância

[07/05] Cantar a Voz com Nani Barbosa e Renata Gelamo

[06/05] Histórias de Boca: Contos Tradicionais na Educação Infantil

Processos de Criação e Bordaduras

[05/09] Edição de livros – caminhos possíveis com Helô Beraldo

GRUPO DE ESTUDOS FILOSÓFICOS com Luiza Christov

Para narrar com imagens é preciso saber desenhar? Com Aline Abreu

Histórias e Culturas Afro-brasileiras e Indígenas na Educação

A vez e a voz das crianças: escutas antropológicas e poéticas das infâncias