CURSO ONLINE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU filosofias e práticas para uma atuação genuína no mundo A natureza que somos

INSCRIÇÕES ABERTAS PRA A TURMA DO 2º SEMESTRE/2020

 

Ponto de partida do curso

Sonhamos este curso há muito tempo. Sempre após uma vivência profunda com a natureza, surgia em nós o desejo de compartilhar com mais e mais pessoas o sentimento de importância e urgência dessas experiências. Não só de se proteger as áreas naturais como também – e sobretudo – , do quanto essas experiências são potentes para transformar nosso modelo mental que vem tão dramaticamente criando impactos irreversíveis sobre nossa própria base de vida. Mais do que tudo isso, nosso objetivo é partilhar o sentimento de encantamento que se pode alcançar quando em contato e convívio com seres tão maravilhosos quanto esses com quem compartilhamos esse nosso tempo/espaço, nosso Planeta.
Muitos pensadores nos servem de referência para ampliar nossa própria experiência. De forma integrada, as diferentes formas de se olhar para o mundo natural serão apresentadas aos participantes, combinando estudo, reflexões e muitas práticas.

Inspirações

​COORDENAÇÃO
GERAL

Profa. Dra. Ângela Castelo Branco Teixeira e
Prof. Dr. Giuliano Tierno de Siqueira

COORDENAÇÃO
DO CURSO

Professora e Mestre Rita Mendonça

ASSISTENTE DE
COORDENAÇÃO

Prof. Esp. Ana Carolina Thomé

jj
REGULAMENTAÇÃO

Curso de Pós-Graduação Lato Sensu Autorizado pelo MEC. FACONNECT – Instituição de Ensino Superior Credenciada pela Portaria MEC n° 59 de 13/01/09, pub. no D.O.U em 14/01/09

DESCONTO

Professores da rede pública e privada
têm descontos especiais

INSCRIÇÃO

Taxa de R$ 30,00
(via depósito bancário após o envio da ficha de inscrição)

PERÍODO DE
REALIZAÇÃO

09/2020  a  03/2022

CARGA HORÁRIA TOTAL
450 horas

REALIZAÇÃO DAS AULAS
TERÇAS-FEIRAS DAS 19H ÀS 21H.

Entrevistas online
(a confirmar)

Matrículas online
até 25 de agosto de 2020

INÍCIO DAS AULAS
22 DE SETEMBRO DE 2020

CONTATOS

e-mail: pos@acasatombada.com
WhatsApp: (11) 96362-7762
Fone: (11) 3675-6661

PROPOSTA DA PÓS

Este curso foi criado com a intenção de oferecer uma abordagem diversa e profunda das possíveis conexões com o mundo não humano. Acreditamos que seu conteúdo seja primordial para profissionais de todas as áreas, pois todos somos seres deste Planeta e precisamos conhecer o que isso significa e implica para nortear nossas ações diárias. Como viver coerentemente com a percepção de que somos seres vivos, que compartilhamos o Planeta com milhares de outros seres, que nossa vida está inexoravelmente conectada a todos os demais?
Os especialistas formados neste curso serão capazes de compreender o Planeta como um organismo vivo, de criar, realizar e promover ações e transformações coerentes em suas práticas profissionais e pessoais, que contribuam de maneira sensível, responsável e consciente com o desenvolvimento socioambiental de seu contexto.

A emergência das questões decorrentes da profunda transformação que o nosso modo de vida tem provocado na dinâmica viva da Terra, nos coloca diante de desafios que não podem ser superados apenas com os elementos conhecidos do senso comum. Os diferentes aspectos que envolvem a compreensão, a experiência e as práticas com a natureza serão profundamente abordados.

A palavra Natureza, de sentido genérico e popular, carrega em si toda a história da relação humana com os seres não humanos. Para ir além do lugar comum do entendimento sobre ela - e que tem como consequência formas distanciadas e descompromissadas de relação - este curso vai aprofundar os seguintes aspectos: Filosofias da Natureza, Fenomenologia Goetheana, Tradições de povos originários, História da ideia de Natureza, Infância, Ecopsicologia, Ciências da Terra, Conservação da Natureza, Educação e processos de aprendizagem com a Natureza.

O saber dos povos originários do Brasil, assim como dos povos que hoje compõem a nossa matriz cultural, como os africanos e os inúmeros outros grupos que para aqui migraram e que nos formam, estará contemplado com a participação de suas lideranças em momentos especiais de abertura dos encontros, com rodas ao redor do fogo.

As filosofias da natureza precisam ser conhecidas e experimentadas na prática, de forma a promover pensamentos e percepções genuínos e conectados ao processo vivo que nos forma.

COMO O CURSO (NOS)ACONTECE

O curso acontece 100% online com encontros ao vivo, atividades síncronas e assíncronas.
Estão previstas também duas  imersões presenciais físicas de 5 (cinco) dias em área natural no Estado de São Paulo, com data e local a serem definidos oportunamente. Essas imersões são facultativas, mas de grande importância para a compreensão da integralidade do curso. Os custos de transporte, hospedagem e alimentação das imersões serão de responsabilidade do estudante e não estão incluídos no valor do curso.

COMO ACONTECEM OS ENCONTROS ONLINE

A Plataforma Digital d’A Casa Tombada dá acesso ao aluno estudar, pesquisar, acompanhar e interagir durante todo o seu percurso. Textos, mídias digitais, fóruns de discussão, aulas gravadas e devolutivas de professores e coordenação, tudo em um só lugar.

SEMANAIS, às terças:
Os encontros presenciais online serão semanais de duas horas de duração, das 19h às 21h. Estão previstas mais cinco horas de estudo, pesquisa e redação por semana. Estão previstas também duas imersões presenciais físicas de cinco dias em área natural, com data e local a serem definidos oportunamente.

QUEM NOS ENCONTRA
(Nossos professores)

Rita Mendonça
Professora titular e coordenadora do curso,  é facilitadora de processos de aprendizagem com a Natureza. É Mestre em Sociologia do Desenvolvimento pela École de Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris ( França), especialista em Planejamento Ambiental pelo programa MAB (Man and Biosphere) da Unesco, e graduada em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo. É escritora com diversos artigos e livros sobre Meio Ambiente e Natureza. É cofundadora do Instituto Romã de Vivências com a Natureza, professora da Escola Schumacher Brasil e coordenadora no Brasil da Sharing Nature Worldwide.

Ana Carolina Thomé
Professora titular e coordenadora assistente do curso, é pedagoga, especialista em Educação Lúdica e Psicomotricidade. Idealizou e coordena o programa Ser Criança é Natural do Instituto Romã desde 2013. Trabalhou em Escolas da Floresta no Reino Unido, e pesquisa iniciativas que relacionam Educação e Natureza pelo mundo. Estuda a abordagem Pikler e desenvolvimento infantil. Professora por profissão, educadora de coração, brincante desde o nascimento. Acredita no poder da infância e que o mundo pode ser melhor.

Como professores convidados temos profissionais conectados às abordagens filosóficas, científicas e práticas relacionadas ao mundo natural.

Adriana Friedmann
Doutora em Antropologia, Mestre em Educação e pedagoga. Apaixonada pelas crianças e pelo brincar, atua, desde os anos 80, como formadora, pesquisadora e consultora junto a fundações, ONGs, escolas, universidades e secretarias de educação, cultura e saúde. Criadora e coordenadora do Mapa da Infância Brasileira e do NEPSID (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento), impulsiona e mapeia diversidade de iniciativas e forma empreendedores na área. Atualmente desenvolve pesquisas com crianças, formando especialistas na escuta de crianças. Tem vários livros publicados, dentre eles: “Quem está na escuta”, “Linguagens e culturas infantis”, “História do percurso da Sociologia e da Antropologia da Infância”, “O olhar antropológico por dentro da infância”, “O desenvolvimento da criança através do brincar” e “A arte de brincar”. Idealizou e coordena a pós-graduação A Vez e a Voz das Crianças n'A Casa Tombada, em parceria com a Facon.

Amâncio Friaça
Bacharel em Física pela Universidade de São Paulo (1976), Mestre em Astronomia pela Universidade de São Paulo (1979) e Doutor em Astronomia pela Universidade de São Paulo (1989), livre docência em Astronomia pela Universidade de São Paulo (2000). Atualmente é professor associado da Universidade de São Paulo com dedicação exclusiva à docência e pesquisa . Sua área de trabalho principal é astrofísica, com ênfase nos seguintes temas: cosmologia, evolução de galáxias, formação de galáxias, meio intergalático, aglomerados de galáxias, evolução química do universo, evolução da complexidade no universo, astrobiologia, relação entre astronomia e sociedade, transdisciplinaridade.

Ângela Castelo Branco
Doutora em Artes pelo Instituto de Artes da UNESP. Mestre em Educação pela UNESP. Poeta e arte educadora. Coordena ações educativas em exposições de artes visuais e literatura como A Biblioteca à noite no SESC Avenida Paulista,  Exposição REVER – Augusto de Campos, no SESC Pompeia. Possui publicações na área da literatura e pesquisa sobre escrita na Universidade de Belas Artes em Lisboa-Portugal. É professora de escritura nos cursos de pós-graduação “A arte de contar histórias – abordagens poética, literária” e “O livro para a infância” – realizados pel'A Casa Tombada em parceria com a Facon. É fundadora d'A Casa Tombada.

Bruno Folador
Geógrafo com especialização em Agricultura Biodinâmica no Pfeiffer Center, EUA. Foi pesquisador e consultor do laboratório Ludolf- Andreas da fazenda biodinâmica Andreashof, Alemanha. Foi fundador e diretor do programa "Living Soils", do Nature Institute, EUA. O foco de sua pesquisa é a Ciência Goetheana a partir da Antroposofia e seus temas são: a agricultural biodinâmica, cromatografia de Pfeiffer, arte e ciência da compostagem em escala agrícola, o papel da imaginação humana e a percepção da paisagem, os 12 sentidos e os 7 processos vitais. Atualmente trabalha no Brasil como pesquisador associado do Nature Institute, integra a diretoria da Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica (ABD) e realiza consultorias e cursos na América Latina, Europa e Estados Unidos.

Edith Derdyk
Artista, educadora, ilustradora de livros infantis, autora (Formas de Pensar o desenho, Linha de Costura, Disegno.Desenho.Desígnio, A pesar, a pedra, Linha de Horizonte: por uma poética do ato criador entre outros livros). Coordena Pós Graduação “Caminhada como Método para a Arte e a Educação, d'A  Casa Tombada, em parceria com a Facon. Contemplada com o título Doctora  Honoris Causa pelo 17, Instituto de Estudios Críticos no México.

Isabel Carvalho
Psicóloga, Doutora em educação, Pesquisadora 1C do CNPq. Professora do PPG Educação da UNIFESP.  Possui pós-doutorado em antropologia na Universidade de San Diego, Califórnia (UCSD). Atualmente é professora titular visitante na UNIFESP, bolsista produtividade do CNPq, coordena o Núcleo Temático "Ecologia, Saúde e Religião" no Laboratório de Estudos Avançados Multidisciplinar (LEAM), da UERGS, e participa do Núcleo de Estudos em Espiritualidade e Saúde (NUES), no Laboratório de Antropologia da Religião/UNICAMP. Tem suas pesquisas e publicações no eixo temático aprendizagem, ambiente, saúde e religião. Desde 2013 tem pesquisado e publicado sobre a regulação da ética na pesquisa em educação.

José Augusto Pádua
Professor associado do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde é um dos coordenadores do Laboratório de História e Natureza. Tem experiência na área de História, com ênfase em História Ambiental, atuando principalmente nos seguintes temas: história do Brasil, história territorial, história regional, história das florestas e agroecossistemas, história da ciência, história das idéias sobre a natureza, história das políticas ambientais e políticas de desenvolvimento sustentável. Graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1983), mestrado em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro - IUPERJ (1985), doutorado em Ciência Política pelo IUPERJ (1997) e pós-doutorado em História pela University of Oxford (2007).

Luiza Christov
Professora Doutora em Educação (PUC), professora assistente aposentada na Unesp, consultora de redes de educação básica, pública e privada.

Maria Cecília Wey de Brito
Agrônoma e Mestre em Ciência Ambiental pela Universidade de São Paulo. Possui grande experiência em gestão pública e no desenho e aplicação de políticas públicas. Atua nas áreas de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade, Acesso a Recursos Genéticos e Repartição de Benefícios, Negócios em Biodiversidade e Valoração de Ativos e Serviços Ambientais. Possui larga experiência de representação institucional, dentro e fora do Brasil, e experiência didática. Trabalhou e fez parte de Diretoria de Organizações não Governamentais

Marco Aurélio Bilibio
Psicólogo Clínico, é Mestre em Psicologia Clínica e Cultura pela Universidade de Brasília (2005) e Doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (2013). Presidente da International Ecopsychology Society. Diretor do Instituto Brasileiro de Ecopsicologia. Atualmente é colaborador do Instituto Superior de Educação Ocidente. É parte do corpo docente da pós-graduação em Pedagogia da Cooperação, como professor convidado, oferecida pela UNIP-Universidade Paulista, e da pós-graduação em Psicologia Transpessoal, pela PUC-GO, também como professor convidado. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia Clínica, atuando principalmente nos seguintes temas: psicoterapia, ecopsicologia, sustentabilidade, sociedade de consumo, saúde ambiental, adoecimento coletivo e alienação.

Roquinho
Roque Antonio Soares Junior é brincante, observador da Cultura da Infância (Brinquedos e Brincadeiras tradicionais da infância brasileira) e Membro Fundador da “Carretel”, um organismo empresarial empenhado nas questões ligadas à Educação, Cultura da Criança e Cultura Brasileira. Desenvolve ao longo dos últimos 20 anos práticas, reflexões e registros acerca do Brincar como traço elementar da Cultura e Identidade de um povo e sobre a importância do Brincar para a plenitude do desenvolvimento humano.

QUEM NOS ENCONTRA
(Nossos alunos)

O curso é destinado a todos os interessados no tema. Educadores (formal e não formal), facilitadores de aprendizagem em geral, artistas, terapeutas, naturalistas, paisagistas, arquitetos, ambientalistas, juristas e ativistas em geral.

A HISTÓRIA DESTA PÓS

Ela reúne experiências, pesquisas, viagens, explorações feitas por Rita Mendonça, que busca há mais de 40 anos as formas possíveis de conexão com a natureza na experiência humana e o repertório no campo da educação infantil. Somado a isso, temos o entusiasmo e a competência de Ana Carolina Thomé Pires, que foi aluna de Rita há 10 anos no curso de pós-graduação em Educação Lúdica. Desde esse encontro elas vêm desenvolvendo projetos juntas no Instituto Romã, onde Ana Carolina criou e desenvolve o programa Ser criança é natural.
O desejo de realizar este curso vinha crescendo há alguns anos e tornou-se possível graças ao encontro com A Casa Tombada.

 

A TRAJETÓRIA DO ESTUDANTE

Participação nos encontros, realização dos estudos e vivências entre encontros, redação de dois ensaios e uma dissertação para a conclusão do curso.

 

SABERES E FAZERES
(Tópicos de estudo)

Cada tema abordado na pós é um leque de possibilidades de discussões. Nada está pronto, tudo está a ser discutido. A seguir, os nossos pontos principais de conversa:

Filosofias da Natureza - O que é Natureza? Apesar de haver um senso comum para responder tal questão, se faz urgente atravessar a barreira do imediatismo da resposta e verificar com mais cuidado essa questão. A partir do que se entende em geral, teremos como referência filósofos da natureza tais como Emanuele Coccia, Gregory Bateson, David Abram e Tim Ingold para desenvolver um pensamento profundamente focado na observação da experiência, seja de respirar, de se movimentar, de interagir com os seres mais que humanos ou com a água e os minerais. De que forma experiências diretas com outros seres nos informam sobre eles mas sobretudo sobre nós mesmos e nossa capacidade de perceber? De que formas o desenvolvimento da percepção transforma a própria maneira de estar e de compreender o mundo?
A ideia que temos sobre a natureza é também fruto do território, do contexto cultural e histórico e das experiências individuais. No percurso humano sobre a Terra diversas ideias de natureza resultaram em diferentes formas de interagir com ela e de transformá-la. Que histórias são essas? Qual a relação delas com o mundo criado em cada época? Que ideias de natureza temos hoje e que estão em relação direta com o mundo que estamos criando?
Antes que as ideias mecanicistas passassem a dominar o pensamento e a ciência no século 18, a visão da integralidade do mundo era bem conhecida e utilizada para as descobertas científicas da época, na Europa. Goethe, célebre escritor alemão, tinha interesse por todas as coisas e desenvolveu uma notável obra científica, influenciando importantes nomes tais como Alexander von Humboldt, Ernst Haeckel e Charles Darwin. Para ele, a compreensão do que está vivo e em permanente modificação deve ser feita de tal forma que o observador entre em contato com toda a vivacidade da natureza. A visão mecanicista tem se mostrado insuficiente para a compreensão dos problemas ecológicos da atualidade. Cientistas e filósofos têm retomado a abordagem goetheana para construir uma outra possibilidade de se compreender o mundo. Em lugar de explicar a natureza, trata-se de captá-la em sua essência. Sua importância no mundo atual está em aproximar o ser humano da natureza, impedindo que o mundo intelectual dos conceitos se anteponha no encontro vivo e criativo com os demais seres. Por meio da fenomenologia observa-se coisas com os próprios sentidos e chega-se à essência delas, sem se concentrar em conceitos prévios e ao mesmo tempo aprofundando o conhecimento e influenciando o próprio processo de pensar.
Esta disciplina é a base conceitual de todo o curso e permeará todos os encontros.

Ciências da Terra e Conservação - A ciência contemporânea tem chegado a resultados importantes na compreensão do Planeta Terra como um sistema integrado. O primeiro a enunciar a hipótese de que a Terra funciona como um organismo vivo foi James Lovelock, em um artigo que publicou com Lynn Margulis, em 1974. De acordo com a Teoria de Gaia - consolidada como teoria após diversos experimentos - a vida na Terra produz e é resultado do próprio metabolismo dos seres vivos. Todos os seres vivos, mas sobretudo as plantas, são responsáveis pela composição da atmosfera, tal como a temos nos últimos 300 milhões de anos. Os organismos que hoje aqui vivem produziram e são resultado dessa incrível dinâmica de interação que também confere estabilidade ao clima. De acordo com os mais recentes painéis sobre as mudanças climáticas, sabemos que a perda da biodiversidade é um dos principais fatores responsáveis pela instabilidade climática crescente. Além da questão das emissões de gases estufa que, justamente por funcionar como um organismo integrado, provocam o aquecimento do planeta. Os aspectos científicos que esclarecem sobre essas questões serão abordados por meio de diversos recursos, incluindo a Caminhada ao longo do tempo, uma caminhada em que cada metro percorrido representa 1 milhão de anos.
Desde os filósofos transcendentalistas do século 19 propõe-se a volta para um convívio com a natureza como forma de retomada do contato com o próprio ser e desenvolver um comportamento ético profundamente consciente. É o que propõe Henri David Thoreau em Walden ou a vida nos bosques ou em sua obra fundamental, A desobediência civil. Outros autores importantes tais como Emerson e John Muir, nos EUA, influenciaram a consolidação do pensamento de que é fundamental proteger a natureza, para salvaguardar espécies, equilibrar o ambiente e oferecer às pessoas estressadas que vivem nas cidades oportunidades de um lazer saudável e contemplativo com a natureza. Foi assim que surgiu a ideia de criação de Parques Nacionais, na segunda metade do século 19. No Brasil o primeiro Parque Nacional, o Itatiaia, data do início da década de 1930, seguindo o mesmo modelo americano. Apesar de reforçarem a polaridade homem-natureza, os Parques Nacionais, assim como as Terras Indígenas, têm sido fatores essenciais para atenuar a gravidade da questão climática/ambiental no Brasil e no Mundo. Essa polaridade gera proteção, cuidado, mas também muitos conflitos com os povos tradicionais que têm nessas áreas seus territórios ancestrais. Compreender essas dinâmicas é fundamental para dar-se conta da ideia de natureza vigente na atualidade.

Ecologia Profunda e Ecopsicologia - No começo dos ano 1960 as questões ambientais começaram a ser evidenciadas. Para o filósofo e montanhista norueguês Arne Naess, as questões abordadas pela ecologia, apesar de seres importantes, não afetam a raiz dos problemas, as causas que estão levando à degradação ambiental em todo o planeta . Ele propõe uma abordagem que busque as causas profundas dos problemas ambientais e chamou isso de ecologia profunda. Ela é uma abordagem/filosofia que considera que os seres humanos fazem parte da natureza e isso tem implicações que modificam completamente o modo de pensar e agir vigentes. A visão biocêntrica da humanidade nos conduz a uma reflexão do significado sobre as ações humanas sobre a terra, sobre o valor da vida em si e sobre o valor da vida de outros seres vivos. Nesta abordagem ninguém tem o direito de tirar a vida e a dignidade de outros seres vivos e que aquilo que precisa ser feito para a construção da vida humana pode ser realizado com respeito e convivência com outros seres.
A partir da ecologia profunda surgiram desdobramentos tais como a ecosofia - ecologia filosófica - e a ecopsicologia.
A ecopsicologia é uma abordagem da psicologia junguiana que entende que o bem-estar planetário está intimamente relacionado com o bem-estar pessoal e coletivo. Ela questiona as premissas de nossa cultura sobre a relação Homem/Natureza e mostra que tais posturas afetam o ser humano em uma dimensão profunda de si mesmo. Para a Ecopsicologia “a repressão do inconsciente ecológico é a raiz mais profunda da loucura coletiva”. É uma psicologia para a Sustentabilidade, segundo a qual as pessoas devem atuar como agentes ativos de transformação sócio-cultural.

Natureza Educadora - Considerando que o pensamento é uma forma de expressão da natureza humana, o contato direto, sensível e profundo com a natureza é em si rico em aprendizados. Que aprendizados são esses? De um lado o conhecimento da natureza e de como ela faz sua dança. De outro o aprendizado sobre si mesmo e como se dá a auto-observação e sua relação com a percepção sobre o mundo. Cada indivíduo tem uma maneira de perceber que é única, tem qualidades diferentes.

A disciplina aborda uma compreensão mais profunda sobre o tempo, sobre o que é tempo da natureza, da história, do metabolismo, das interações.

As crianças são grandes mestres neste tópico, à medida que sua expressão como ser da natureza ainda não foi completamente moldada pela cultura. O processo de desenvolvimento da criança tem a ver com essa relação com o mundo e não está separado dele. A aprendizagem integral da criança não tem como prescindir da natureza. O ambiente da criança precisa ser um ambiente vivo, onde essa vida esteja se manifestando. O que dizem os educadores que trabalham nessa abordagem e que aprendizado eles têm tirado dessa experiência?Como as relações nas instituições de educação podem ser mais naturalistas, abertas para o convívio e ao brincar com a natureza?

Práticas como a Sharing Nature ensinam como oferecer uma aprendizagem sensível e profunda de forma simples e direta, trazendo muitos benefícios para a aprendizagem, para as relações, para a integração, para o bem estar. As Escolas da Florestas, que têm suscitado muito interesse nos educadores brasileiros, oferecem promovem essas relações , o que mais importa é a frequência no ambiente abundantemente natural. As práticas são prioritariamente voltadas para o brincar e aprender com a natureza. Nesse caso, o desenvolvimento integral, a ampliação da criatividade e sensibilidade, saúde, acontecem também porque o entendimento sobre o risco é diferente do senso comum. Nestas escolas, haver risco é fundamental. A criança está no mundo, o ambiente não é preparado para as crianças estarem. Elas aprendem a estar no mundo com o mundo.

Origens antropológicas da natureza brasileira - Nossos povos originários são nossos grandes mestres sobre as possibilidades humanas de relação com a natureza e sobre nossas possibilidades de descolonizar nossas mentes. Recebemos uma educação e temos uma formação totalmente baseada nos conhecimentos e pontos de vista dos nossos colonizadores. Isso está na origem dos questionamentos que fazemos sobre o modo de vida atual. Como desconstruir essa educação e reestruturar nossos saberes e modos de vida ancorados na conexão com nosso território, com a convivialidade e com aspectos mais essenciais de ser seres humanos?
Apesar dos 500 anos de genocídio incessante e de desrespeito àqueles que vivem aqui há milênios e a quem devemos a formação da alma do nosso território, eles resistem e estão cada vez mais fortes nos mostrando o quanto são importantes tanto para a continuidade da vida na terra como para nos ensinar o que poderia ser sustentabilidade verdadeiramente. Cada etnia é singular e tem saberes complexos e profundos sobre a vida e como honrá-la. Abordaremos algumas delas com seus mitos de criação, tecnologias e orientações.
A educação (formal e não formal) ainda se baseia na visão do colonizador; entrar em estreito contato com os povos originários pode nos ajudar a descolonizar as nossas mentes e entrar num desenvolvimento genuíno e verdadeiro.
Ainda parte fundamental da nossa história estão nossas raízes africanas. Trazidas de um continente diferente do nosso, as populações que foram escravizadas, trouxeram consigo e conseguiram guardar, muito além dos cantos e danças, conhecimentos importantes sobre a natureza. Culinária, cura, espiritualidade.
No final do século XIX, junto com o crescente movimento abolicionista, começaram vir para trabalhar na agricultura, diferentes levas de pobres europeus, e posteriormente japoneses, que hoje fazem parte da nossa cultura. Junto com eles vieram suas visões do mundo.
Nossos corpos são resultado dessa mistura, assim como nossos gestos.
O percurso da história que nos forma influencia inteiramente na hora de nos relacionarmos e educarmos nossas crianças. O mundo que lhes oferecemos foi formado por essa imbricada teia de interações, de modos de compreender, de se relacionar e de transformar o mundo. Quanto cada criança nos revela sobre o que estamos ofertando a elas?
Não é possível falar da humanidade sem pensar seu início, olhar para a infância. A criança é a natureza na forma humana. Nascemos natureza e nos desenvolvemos a partir das aprendizagens oferecidas pela cultura. Como acontece o desenvolvimento da criança? Como é o brincar com a natureza em cada território e o que ele revela da nossa cultura e de nossa relação com os seres não humanos?

Arte, literatura e natureza - É da natureza de nosso corpo se deslocar e atravessar, fisicamente, os espaços, sejam estes espaços urbanos ou rurais, artificiais ou naturais. Desde sempre, desde os tempos mais antigos e remotos, o ser humano atravessa espaços e, quem sabe, o próprio tempo. A aventura da percepção humana esbarra na construção de conceitos que, de certo modo, modelam e modulam nosso ser e estar no mundo, envolvendo as noções de mapa e território, cartografia, topografia, fronteira, borda, vias, limites...Estes são alguns dos elementos constitutivos na elaboração destes conceitos que desenham , contornam e sinalizam nossos embates perceptivos diante da Natureza, ao longo de nossa jornada.

A construção da ideia de paisagem é algo relativamente recente dentro do percurso da História da Civilização: que imagem é esta que se apresenta e que indicia a presença da Natureza? E que noção de natureza seria esta? A paisagem se torna um gênero dentro da História das Artes Visuais, bem como motivos para a Literatura, Teatro, Dança, revelando a nossa percepção de ser e estar no mundo natural de forma historicizada, envolvendo informações oriundas da relação entre natureza e cultura, arte e arquitetura, a história da construção das cidades e seus fluxos, as fricções entre centros e periferias, entre sedentarismo e nomadismo contemporâneos e, principalmente, o embate - seja pela conjunção, seja pela disjunção - das conexões vitais entre a presença da natureza humana, produzindo e deixando seus rastros e memórias e a própria condição do devir natureza em nossos imaginários.

Experiências com a natureza - A abordagem que estamos oferecendo neste curso requer ir além da reflexão e da formação de repertório com a natureza. Requer fortes experiências diretas conduzidas por diversas abordagens. Assim, estão planejadas duas imersões, todas elas com diferentes professores especialistas convidados. Com elas acreditamos enraizar os aprendizados do sujeito humano renaturalizado, emergindo em sua própria natureza.

 

INVESTIMENTO

Uma parcela de R$ 684,67 + 23 parcelas de R$ 584,67*

*Consulte descontos especiais para pagamentos à vista ou outras formas de pagamento.

“Reduzir a natureza à ciência é, antes de mais nada, ignorar a história: creio mesmo que é ignorar o sentido das próprias palavras. Nunca o homem se contentou, e nunca se contentará, com as poucas informações parciais que ela nos oferece. Ele erguerá sempre os olhos para a natureza no intuito de penetrar o seu mistério para conhecer o seu segredo, e esse segredo não pode sair dos laboratórios.”
Robert Lenoble, "História da ideia de natureza", Edições 70, 2002.

"Solidão é ter apenas o destino humano."
Clarisse Lispector

Eu sou aquela parte da floresta que emergiu com pensamento.
Eckhart Tolle, escritor alemão, autor de best sellers sobre iluminação espiritual.

“Graças às plantas, o Sol se torna a pele da Terra, sua camada mais superficial, e a Terra se torna um astro que se alimenta de Sol, se constrói com sua luz. Elas metamorfoseiam a luz em substância orgânica e fazem da vida um fato principalmente solar.”

“Elas não têm mãos para manejar o mundo, e, no entanto, seria difícil encontrar agentes mais hábeis na construção de formas. As plantas não são apenas os artesãos mais finos de nosso cosmos, são também as espécies que abriram para a vida o mundo das formas, a forma de vida que fez do mundo o lugar da figurabilidade infinita. Foi através das plantas superiores que a terra firme se afirmou como o espaço e o laboratório cósmico de invenção de formas e de modelagem da matéria.”

“ O mundo é antes de tudo o que as plantas souberam fazer dele.”

"Filosofia nasceu e se compreendia, na origem, como uma interrogação sobre a natureza do mundo, como um discurso sobre a física (peri tês physeôs) ou sobre o cosmos (peri kosmou). Essa escolha nada tinha de casual: fazer da natureza e do cosmos os objetos privilegiados do pensamento significava afirmar implicitamente que o pensamento só se torna filosofia ao se confrontar com esses objetos. É em face do mundo e da natureza que o homem pode verdadeiramente pensar.”

Emanuele Coccia,  "A vida das plantas - uma metafísica da mistura", Editora Cultura e Barbárie, 2018.

 

"Não é o conhecimento do real que nos faz amar o real. É o sentimento que constitui o valor fundamental e primeiro. A natureza, começamos por amá-la sem conhecê-la, sem vê-la bem, realizando nas coisas um amor que se fundamenta alhures. Em seguida, a procuramos em detalhe, porque a amamos, em geral, sem saber por quê. A descrição entusiasta que dela fazemos é uma prova de que a olhamos com paixão, com a constante curiosidade do amor. E, se o sentimento pela natureza é tão duradouro em certas almas, é porque, em sua forma original, ele está na origem de todos os sentimentos. É o sentimento filial."
Gaston Bachelard, "A água e os sonhos: ensaio sobre a imaginação da matéria" (traduzido por  Antônio de Pádua Danesi).

"Se nossa consciência da anima mundi é na realidade um modo arquetípico de percepção, ela nunca pode ser erradicada da psique humana, embora seja possível reprimi-la no interior de indivíduos ou, parece, no interior de toda uma cultura.

"A percepção sensorial pode ser reconhecida como uma comunicação sem palavras entre a sensibilidade abrangente de Gaia e a consciência individual da pessoa - pois os solos, plantas, animais, atmosfera e água não são apenas uma coleção aleatória de objetos passivos e processos mecânicos, determinados, mas são de fato entidades vivas, sensíveis; assim, cada exemplo de percepção nos transmite alguma coisa sobre o estado daquele ser maior em que estamos inseridos. em referência a David Abram, antropólogo norte-americano."
Stephan Harding, Terra Viva, Editora Cultrix, 2016.

“Você precisa ir à procura de si mesmo e você se encontrará novamente apenas nas coisas mais simples e esquecidas. Por que não ir para a floresta por um tempo, literalmente? Muitas vezes, as árvores nos dizem mais do que o que pode ser lido nos livros."

“Tempo, dinheiro e energia são atualmente gastos para reparar os danos feitos à natureza. No entanto, uma interação equilibrada entre a natureza humana e a natureza supõe que também façamos o convite para que - com nosso consentimento - a natureza nos cure.”
C.G.Jung,  psiquiatra e pensador suiço considerado o pai da psicologia analítica.