Debaixo do barro do chão: arte narrativa e saúde - com Cris Ceschi, Dani Barros e Vivi Marques

Sobre o curso

Um dia, andando na selva, um homem encontrou um tigre feroz. Ele correu para salvar sua vida, perseguido pelo tigre. O homem chegou à beira de um precipício e o tigre estava quase o alcançando. Sem opção, ele se agarrou a uma parreira com suas duas mãos e desceu.

No meio do precipício, olhou para cima e viu o tigre no topo, arreganhando os dentes. Ele olhou para baixo, e viu outro tigre, rugindo e esperando sua chegada. E ficou preso entre os dois. Em seguida, apareceram dois ratos sobre o precipício, um branco e outro preto. Como se ele não tivesse preocupações suficientes, os ratos começaram a roer a parreira. Sabia que se os ratos continuassem a roer, chegaria um ponto em que a parreira não poderia suportar seu peso, causando sua queda. Tentou espantar os ratos, mas eles voltavam e continuavam a roer.

Neste momento, ele observou um morangueiro crescendo na parede do precipício, não muito longe dele. Os morangos pareciam grandes e maduros. Segurando-se na parreira com apenas uma das mãos, com a outra colheu um morango.

Com um tigre acima, outro abaixo, e com os ratos continuando a roer a parreira, o homem comeu o morango e achou-o absolutamente delicioso. 

Nossa Proposta:

As histórias podem chegar de maneira suave, como uma brisa fresca mensageira de um tempo bom. Mas, em alguns não raros momentos, elas chegam do mais profundo da terra, incendiando, transmutando ambientes de dor, de incerteza, de abismo. Histórias assim como esse delicioso morango da história acima, um pharmakon e uma bússola para um caminho de experiência (de provar, comer, se nutrir) que aponta para a Vida.

Nesse percurso de sete encontros, Cristiana Ceschi, Danielle Barros e Viviane Marques pretendem compartilhar seus estudos e experiências como artistas da palavra em ambientes de saúde.

Trabalharemos os seguintes temas: 

Encontro 01 (22/10) – O ambiente de risco sob o olhar das artistas

Quais são as especificidades, camadas de sentido atravessadas e que atravessam as artistas em ambientes de urgências? O mito de Medusa e do Herói Perseu será a nossa grande metáfora para uma primeira estratégia de contato com esse ambiente. 

Encontro 02 (29/10)- Por que trabalhar com histórias de tradição oral?

De um ponto de vista prático, qual o sentido e efeito das histórias de tradição oral no ambiente hospitalar? Contaremos alguns relatos de experiência e estratégias de contato com as histórias que possibilitam “a flecha no centro do alvo”, possibilitam que elas comecem a operar trazendo alguns benefícios secretos quando estamos à beira do precipício.

Encontro 03 (05/11)- A qualidade de presença invisível do contador de histórias

A Sultana Sherazade como inspiração para estarmos presentes de maneira íntima, mas não invasiva, para sermos auxiliadas por nossa consciência e intuição, para saltarmos no espaço do “entre” sabendo que nossa intenção e sinceridade irão nos guiar. 

Encontro 04 (12/11)- Exercícios de presença

Nesse encontro vamos fazer alguns exercícios de presença e preparação para o encontro com alguém que não espera por você. Alguém que talvez a última coisa que gostaria de fazer é contar ou ouvir uma história. Alguém passando por uma noite escura que muito provavelmente vai pedir para você se afastar. Mas… e se…. 

Encontro 05 (19/11) – A comunicação compassiva – um pavimento para o encontro e as histórias

Usualmente, em ambientes que não estão programados para receber o artista, começamos jogando um pouco de conversa fora para somente depois colocar palavra para dentro. O Artista no hospital precisa saber o que dizer e o que não dizer. Frases clichês, falta de escuta, olhar restrito impedem um vínculo autêntico e de coração para coração. 

Encontro 06 (26/11) – O mapa da história como força centrípeta: vamos chegar no centro!

O estudo do território, o chão por onde a história se espalha em sua frequência e sentido. E também por onde as contadoras de histórias oferecem a mão para que contadora, história e ouvinte caminhem juntos. 

Encontro 07 (03/12) – Conversa sobre a impermanência da vida – e agora?

Vamos compartilhar alguns estudos em tanatologia e fecharemos com a produção/ síntese poética dos participantes sobre todo esse nosso percurso. 

 

Bibliografia

ANÔNIMO (2006). “Livro das Mil e Uma Noites”, volumes I, II e III. Introdução, notas, apêndice e tradução do árabe Mamede Mustafa Jarouche. 3ª edição. São Paulo.: Globo.

CESCHI, Cristiana Souza. “A Menina, o Cavalo e a Chuva:  a arte de contar histórias e a cibercultura”. Dissertação de Mestrado.  Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2014.

COELHO, T. “A cultura como Experiência”. In: Ribeiro, R. J. (Org.) Humanidades: um Novo Curso na USP. EDUSP: 2001. p. 65-102.  

CREMA, R. “ O poder do encontro: origem do cuidado”. São Paulo: Tumiak, 2007.

DEWEY, John. “Tendo uma experiência”. In: A arte como experiência. São Paulo: Abril, 1974, col. Os Pensadores, vol XL.

DUNKER, Christian (com Cláudio Thebas). (2019) “o Palhaço e o Psicanalista”: como escutar os outros pode transformar vidas”. São Paulo: Planeta do Brasil.

FERREIRA SANTOS, Marcos. Fundamentos antropológicos da arte-educação: por um pharmakon da didaskalia artesã. In: Revista @mbienteeducação. São Paulo, v.3, n.2, jul /dez. 2010. p. 59-97.

GALLIAN, D. M. C. “A literatura como remédio: os clássicos e a saúde da alma”. 1. ed. São Paulo: Martin Claret, 2017.

GRILLO, Nícia (coord) (1993) “Histórias da Tradição Sufi” 4ª edição. Rio de Janeiro. Edições Dervish – Instituto Tarika.

HAMPÂTÉ BÁ, Amadou. (2010). A Tradição Viva In “História Geral da África: metodologia e pré-história da África. Brasília: UNESCO.

KUBLER, ROSS, E. “ A roda da vida”, São Paulo, Sextante, 1998.

KUBLER, ROSS,E. “ Sobre a morte e o morrer”. 8•ed, Martins Fontes, São Paulo, 1998.

MACHADO, Regina. Acordais: Fundamentos Teórico-Práticos da arte de contar histórias. São Paulo: DCL, 2004.

MÜLLER, J, M. “ O princípio da não violência”. São Paulo, Palas Athena, 2007.

ROSENBERG, M. “Comunicação não violenta”. São Paulo, Palas Athena, 2006

RUBIRA, Fabiana de Pontes. “Dançando com o Minotauro nas noites: narração de histórias e formação humana”. Tese de Doutorado. São Paulo, FEUSP, 2015.

RUIZ, R. A., Pulchrum. “Reflexiones sobre la Belleza desde la Antropología Cristiana”, Rialp, Madrid, 1998.

SHAH, Tahir (2009) “Nas Noites Árabes”: uma caravana de histórias. Trad. Pedro Ribeiro. Rio de Janeiro, Roça Nova.

SIMMS, Laura (2011). “Our secret territory”: the essence of sorytelling. Boulder: Sentient.

TODOROV, T. “A beleza salvará o mundo” : Wilde, Rilke e Tsvetaeva: os aventureiros do absoluto, Tradução de Caio Meira, Rio de Janeiro: DIFEL, 2018.

VON ZUBEN, Newton Aquiles. Introdução. In.: BUBER, Martin. “Eu e Tu”. Tradução: Newton Aquiles Von Zuben. São Paulo: Cortez Moraes, 1979.

Quem são as professoras

Cris, Dani e Vivi são artistas pesquisadoras da interface Arte e Saúde 

São contadoras de histórias que trabalham em hospitais, clinicas, abrigos e também pesquisadoras do tema vida x morte x vida em toda sua profundidade: poética, filosófica, fisiológica, espiritual e empírica principalmente, afinal todas elas já experienciaram situações limite de contato com o imponderável e finitude da vida. Elas acreditam no potencial da Arte em momentos difíceis, de penúria humana, quando de repente se abre, brota do chão um espaço de calor, uma fogueira crepitando que revela imagens, antigas memórias, sonhos futuros.

Cris Ceschi é educadora, cientista social, atriz, palhaça, contadora de histórias, diretora de peça de teatro, mestre em ensino e aprendizagem da Arte, fundadora do Coletivo As Rutes. Segue sua busca de contato entre o Ancestral e o Novo, pesquisando as conexões entre Arte e a Ciência como integrante do núcleo de Humanidades, Narrativas e Humanização em Saúde da Escola Paulista de Medicina (EPM) – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) sob orientação do Prof. Dr. Dante Marcello C. Gallian. 

Danielle Barros é atriz, narradora de história, e terapeuta de Amanae, trabalha há cinco com histórias em hospitais públicos e filantrópicos.

Vivi Marques é  narradora de histórias e trabalha há mais de 12 anos com as histórias em espaços de saúde. Fez pós em Arteterapia e Psicologia Transpessoal e atualmente está no quarto semestre de Psicologia.. Bacharel em Letras pela Universidade Federal da Bahia e em teatro pela Escola de Arte Dramática / ECA/ USP.

 

Quando

Às sextas-feiras
Dias 22 e 29/10; 5, 12, 19 e 26/11e 3/12
Das 19h30 às 21h30

Onde 

Online
As informações de acesso serão disponibilizadas por e-mail.

Público

Geral

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