Laboratório de escrita – com Arturo Gamero

Sobre o curso

A partir de trechos extraídos das obras de diferentes autores como Nietzsche, Robert Musil, Hermann Broch e George Bataille, o laboratório de escrita tem o objetivo de criar um ambiente de reflexão coletiva acerca da experiência literária. Além disso, cada participante terá a oportunidade de expor um texto de sua autoria para a apreciação coletiva ou individual. O formato será discutimos ao longo dos encontros. Cada encontro será dividido em duas partes. Na primeira parte serão apresentados alguns conceitos, imagens síntese e aspectos da obra dos autores citados com a intensão de ampliar o repertório de temas, abordagens e práticas literárias. A segunda parte será dedicada à apreciação da produção individual dos participantes.

Do romance de formação (Bildungsroman) como forma simbólica da modernidade à vertiginosa fragmentação da escrita numa granulação de epifanias, por assim dizer, batailleanamente heraclíticas, este curso pretende ser apenas um esboço das questões que norteiam o itinerário de algumas metamorfoses importantes da chamada literatura moderna.

Misturando as indicações de Franco Moretti, contidas em seu livro O romance de formação, ao estudo de Jacques Le Rider acerca das crises de identidade na modernidade vienense, tentaremos observar o modo como a literatura absorveu, intensificou ou atenuou as tensões históricas e sociais no recorte proposto para este curso, a saber, final do sec. XIX e meados do sec. XX.

Começaremos por Nietzsche como o grande cuco inventariante das forças plásticas da vida à sombra de um deus morto. O homem não é mais artista, tornou-se ele mesmo obra de arte (…) a força artística revela-se aqui sob o frêmito da embriaguez, ele escreve em 1872. Inventário dos exercícios espirituais antigos entre aqueles bio-positivos ou negativos, o corpo explosivo, os outros “eus”, espécie de hétero-narcisismo ou a fisiologia dos conceitos como psicologia. Daí, iremos ao Törless (1906) de Musil e sua interioridade juvenil ontologicamente abismal. Suas digressões afásicas, suas epifanias e clarões de uma linguagem-enigma que suspende os estratos discursivos, a saturação dos signos ou a instituição da linguagem conceitual. Musil é um exemplo do que poderíamos chamar de escritor-filósofo e Törless, mas sobretudo, Uniões (1911), exemplos do chamado “romance lírico” ou Künstlerroman (romance de artista).

Em seguida, será a vez de Hermann Broch e a Morte de Virgílio (1945). Colossal inventário de paisagens mentais magistralmente arquitetadas como fluxo contínuo de um discurso interior que descreve fusões místico-ontológicas. Além disso, a obra coloca importantes questões relativas à função da literatura frente ao cenário europeu em meados da década de 1940. Por fim, faremos mais um esboço sumário de algumas questões que a obra de Georges Bataille encena a partir de alguns textos e imagens, nos quais poderemos observar a carcaça do deus morto e a dança em meio aos vapores inebriantes da orfandade radical daqueles sem deus e sem mundo, tendo apenas a excitação da angustia e o erotismo dos corpos, corações e do sagrado.

 

Percurso do curso

Encontro 1 (9/8)
Nietzsche: passagens do Ecce Homo.

Encontro 2 (16/8)
Robert Musil: passagens de O Jovem Törless e Uniões.

Encontro 3 (23/8)
Hermann Broch: passagens de A morte de Virgílio.

Encontro 4 (30/8)
Georges Bataille: O Culpado e O ânus solar.

 

Bibliografia principal

Broch, H. A morte de Virgílio. Lisboa: Relógio D’Água Editores, 2014.

Bataille, G. O ânus solar (e outros textos do sol). Lisboa: Assírio Alvim, 2007.

Bataille, G. O Culpado: seguido de A aleluia: Suma ateológica, vol. II. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2017.

Le Rider, Jacques. A Modernidade Vienense e as Crises de Identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1992.

Moretti, F. O romance de formação. São Paulo: Todavia, 2020.

Musil, R. O jovem Törless. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019.R.

Musil, R. Uniões. São Paulo: Perspectiva, 2018.

Nietzsche, F. Ecce homo: como alguém se torna o que é. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Quem é o professor

Arturo Gamero é artista e escritor. Formou-se em Filosofia (FFLCH-USP), em 2011. Em 2013 lança “Favos”, livro de sua autoria pela Editora Lumme. Desenvolve pesquisa de mestrado no Programa Pós Graduação em Poéticas Visuais (PPGPV – ECAUSP) em 2017, sob orientação de Claudio Mubarac, intitulada Autorretrato, reunindo textos, desenhos e gravuras, além de registros fotográficos. No mesmo ano vence o Programa Nascente na categoria Artes Visuais promovido pela Pró-reitoria de Extensão Cultural da USP. Em 2019, assume a curadoria de Artes Visuais do Festival Soy Loco por Ti Juquery, a partir do acervo do Museu Osorio Cesar em Franco da Rocha. Entre 2016 e 2019 ensinou arte no Ensino Fundamental I e II no Colégio Equipe e no Ateliê-escola ACAIA. Atualmente, como há algum tempo o faz, dedica-se à gravura, ao desenho e à escrita, de modo oscilante ou simultâneo: autorretrato e autobiografia. Seu mais recente curso oferecido na Casa Tombada dedicou-se a pensar a Poética do Nascimento a partir de autores variados, como Pascal Quignard, Santo Agostinho e Peter Sloterdijk. Vive e trabalha em São Paulo.

Quando

Dias 9, 16, 23 e 30/8
 (às segundas-feiras)
Das 19h às 21h

Onde 

Online
As informações de acesso serão disponibilizadas por e-mail.

Público

Geral

Turma

30 pessoas

Investimento

Quatro encontros
R$ 320,00

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Bolsas de estudo

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