Necromaterialidade, biomaterialidade e a produção do em-comum como táticas artísticas para subverter a necropolítica. Desdobramentos latinoamericanos – com Jenny Fonseca Tovar

Sobre o curso

Este curso teórico-prático pretende partilhar e continuar desdobrando coletivamente os resultados da pesquisa Táticas artísticas para subverter a necropolítica: percursos entre a necromaterialidade, a biomaterialidade e a produção do em-comum (tese de doutorado em Artes Visuais ECA/USP) que responde como, através de práticas colaborativas e/ou coletivas, podem ser subvertidas, questionadas e/ou desestabilizadas políticas de morte que matam, silenciam, desmembram, massacram, desaparecem e/ou deixam morrer determinados corpos. Essa tese se localiza no atual contexto necropolítico colombiano denominado “pós-conflito”, termo que se refere ao período após a assinatura dos Acordos de Paz entre a guerrilha das FARC-EP e o governo, em 2016.

Porém, neste curso também analisaremos o que seriam essas táticas artísticas em outras latitudes latinoamericanas, incluindo o Brasil, estudando poéticas e práticas artísticas que se aproximem do que nessa pesquisa é denominado como biomaterialidade, necromaterialidade e a produção do em-comum. Este curso terá um desdobramento prático onde os participantes serão convidados para desenvolverem poéticas artísticas em torno de materialidades de morte e materialidades de vida cuja ativação coletiva construirá uma espiral expansiva de relações.

 

Percurso do curso

Encontro 1 (6/8) 
Apresentação do marco teórico que abrange a Necropolítica e Devir-Negro do Mundo de Achille Mbembe, Império, de Antonio Negri e Michael Hardt; Capitalismo Gore e Sujeitos Endriagos, da mexicana Sayak Valencia. Proposição do exercício prático coletivo.

Encontro 2 (13/8)
As propostas de resistência: o Em-Comum, Multidão, Multidão Queer e, por outro lado, a Biopotência Coletiva e a Multidão Biopotente do autor Peter Pál Pelbart. Necromaterialidade e biomaterialidade. O caso da necropolítica na Colômbia e análise de práticas coletivas/colaborativas que a subvertem.

Encontro 3 (20/8)
Táticas artísticas que subvertem a necropolítica na latinoamérica. A “Minga” das comunidades indígenas do Cauca, Colômbia e o “Vivir Sabroso” das comunidades afrotrateñas (pesquisado por Natalia Quiceno) como possíveis metodologias colaborativas artísticas para resistir às políticas da morte.

Encontro 4 (27/8)
Táticas artísticas que subvertem a necropolítica no Brasil (nutrindo-se de exemplos trazidos pelos participantes). Apresentação do desdobramento prático coletivo a partir das materialidades de vida e as materialidades de morte.

 

Referências bibliográficas                                                                                   

AGAMBEN, Giorgio. (1995). Homo Sacer: O poder soberano e a vida nua I. Trad. Henrique Burigo. Belo Horizonte: Editora UFMG. 2010.

CENTRO NACIONAL DE MEMORIA HISTÓRICA. ¡Basta ya! Colombia: Memorias

de guerra y dignidade. Bogotá, Colombia: Imprenta Nacional. 2013.                    

________________________________________. Nuestra vida ha sido nuestra lucha. Resistencia y memoria en el Cauca indígena. Bogotá: Imprenta Nacional. 2012.             

FANON, Frantz. (1961). Los condenados de la tierra. Trad. Julieta Campos. México: Fondo de Cultura Económica. 1963.                                     

HARAWAY, Donna. (1988). Saberes localizados: a questão da ciencia para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Campinas: Cadernos Pagu, n. 5, p. 7-41, 1 jan. 2009.

HARDT, Michael. NEGRI, Antonio. Imperio. Cambridge, Massachussets: Editora Harvard University Press. 2000.

__________________________. (2004). Multidão. Guerra e democracia na era do Império. Rio de Janeiro: Editora Record. 2005.

MBEMBE, Achille. Necropolítica. (2003) Revista Arte & Ensaios, [S.l.], n. 32, mar. 2016. ISSN 2448-3338. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/ae/article/view/8993

_______________. Necropolítica, una revisión crítica. In: CHAVEZ, Helena (org.) Estética y violencia: necropolítica, militarización y vidas lloradas. México: UNAM. Museo Universitario de Arte Contemporaneo. 2012. P. 130-139.                                

_______________. (2013) Crítica de la razón negra. España: Nuevos Emprendimientos Editoriales – Ned ediciones. 2016.                      

_______________. O direito universal à respiração. Trad. Ana Luiza Braga. São Paulo: N-1 Edições. 2020. Disponível em: https://n-1edicoes.org/020 Acesso em: 18 Jun. 2020.

PELBART, Peter Pál. Vida Capital. Ensaios e biopolítica. São Paulo: Editora Iluminas. 2003                                                

VALENCIA, Sayak. Capitalismo Gore. España: Editorial Melusina. 2010.

Quem é a professora

Jenny 1

Jenny Fonseca Tovar é pesquisadora e artista visual e do corpo. Nascida em Bogotá, Colômbia em 1980, desde há oito anos habita os interstícios entre a Colômbia e o Brasil num devir de mulher migrante. Doutora em Artes Visuais pela ECA/USP (2020). Mestre em Artes Visuais pela EBA/UFRJ  (2015). Formada em realização de Cinema e Televisão pela Universidade Nacional da Colômbia (2005) com uma formação paralela em dança contemporânea, dança afro e ioga. Indaga a relação entre o corpo e a imagem, pesquisando-criando-escrevendo em torno dos desdobramentos macro e micro-políticos que dita relação pode envolver, criando assim uma poética interdisciplinar que transita entre a dança, a escrita, a performance, o vídeo experimental e a videoinstalação. 

https://jennyfonseca.wordpress.com/

Instagram: jenny_ft

Quando

Dias 6, 13, 20 e 27/8
 (às sextas-feiras)
Das 19h às 21h

Onde 

Online
As informações de acesso serão disponibilizadas por e-mail.

Público

Geral

Turma

30 pessoas

Investimento

Quatro encontros
R$ 280,00

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