Narração Artística: Conversas sobre os paradoxos no ato de contar histórias nas cidades – com Giuliano Tierno

Sobre o curso

De uma cidade, não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete maravilhas, mas a resposta que dá às nossas perguntas (CALVINO, 1990)

Conta-se histórias. Isso basta para nos perguntarmos: “estamos contando histórias?”; e, “como e onde estamos narrando nos contextos urbanos?”. Nas cidades, sobretudo aquelas com adensamento populacional, marcadas de maneira aguda pelo tempo do trabalho, pela produtividade e pela circulação da mercadoria, o ato de memorar e partilhar histórias tornou-se, nos cotidianos das pessoas que as habitam, um fenômeno cada vez mais raro. Máxima já elaborada pelo filósofo alemão Walter Benjamin, ainda no início do século XX. Isso porque tais formas de existência não compreendem o tempo da experiência, da invenção, da elaboração da existência, tampouco o tempo para se fazer com as mãos as coisas que fazem sentido à sustenção da própria existência. Uma pista importante: não é que não sabemos contar histórias, mas talvez não tenhamos o que contar, não saibamos o que contar. Talvez algo como uma interdição no processo de transmissibilidade da experiência de vida (Erfahrung), como nos ajudou  a pensar o filósofo alemão. Importante enfatizar que nas chamadas Comunidades e Povos Tradicionais o ato de contar histórias é intrínseco às suas cosmologia, às suas visões de mundo, e convivem conosco em simultaneidade na contemporaneidade às realidades urbanas destacadas nessa proposição. Nosso recorte, portanto, está centrado no contexto urbano. Desde a segunda metade do século passado, contadoras e contadores de histórias ressurgiram em muitas partes do mundo, abrindo espaços para a retomada do conto nas cidades. Algumas pistas compõem o ressurgimento dessa figura: formar o seu repertório de contos majoritariamente por meio da leitura (inseridos que são na cultura letrada); compreender um novo sentido de comunidade de ouvintes, pois aqueles que ouvem já não são mais pertencentes a uma comunidade única e sim com o agenciamento de desejos de escuta de uma diversidade de pessoas que se reúne num determinado lugar, num determinado horário para ouvirem histórias; e, por fim, para que o experimento de fala e escuta, disponha da atenção complexa de uma audiência coletiva, que não têm ritos e convenções comuns, a pessoa que propõe o experimento narrativo busca nos experimentos artísticos como teatro, artes visuais, música, dança, performance, manifestações populares, elementos para instituir o que o território de transmissibilidade da experiência de vida (Erfahrung). Sobre essas três pistas nos debruçaremos nesse curso: formação de repertório; comunidade de ouvintes; e, dispositivos artísticos; compreendendo seus paradoxos. Ler e ouvir; comunidade perdida e comunidade que vem; dispositivos artísticos e espetacularização (no sentido de sociedade do espetáculo).

 

Roteiro do curso

Encontro 1 (3/8) – Sobre contar histórias nas cidades
Encontro 2 (10/8) – Paradoxos nos processos de formação de repertório
Encontro 3 (17/8) – Paradoxos sobre as comunidades de ouvintes
Encontro 4 (24/8) – Paradoxos sobre a instauração dos territórios de transmissibilidade de experiência (Erfahrung).
Encontro 5 (31/8) – Cartografias das formas narrativas nas cidades.

 

Referências bibliográficas:

BÁ, Amadou Hampatê. A tradição viva. In: História Geral da África.
BENJAMIN, Walter. Magia e Técnica. Arte e Política. São Paulo: Brasiliense, 1994.
PATRINI, Maria de Lourdes. Renovação do Conto. Emergências para uma prática oral. São Paulo: Corteza, 2005.
TIERNO e ERDTMANN, Giuliano e Letícia. Narra-te cidade. Pensamentos sobre a arte de contar histórias hoje. São Paulo: A Casa Tombada, 2017.

Quem é o professor

Giu

Giuliano Tierno é Doutor e Mestre em Artes pelo Programa de Pós-Graduação do Instituto de Artes da UNESP e sócio-fundador d’A Casa Tombada [Lugar de Arte, Cultura e Educação] na cidade de São Paulo.

Quando

Dias 3, 10, 17, 24 e 31 de agosto, às segundas-feiras,
das 20 às 22h.

Onde 

Online
As informações de acesso serão disponibilizadas por e-mail.

Público

artistas, estudantes e interessados em geral.

Turma

30 pessoas

Investimento

R$ 200,00
em até 4x sem juros ou
7% de desconto à vista pelo PagSeguro.

 

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